sábado, 28 de março de 2015

Cura interior


No decurso da sua vida, o homem pode sofrer agressões, ou situações traumáticas que deixem marcas na sua alma. Nesta situação o homem precisa de cura interior, da sua mente, das suas emoções, lembranças e sonhos. A cura traduz-se num processo em que Deus cura a nossa alma, e liberta-nos dos ressentimentos, do sentimento de rejeição, da autopiedade, da depressão, da culpa, do medo, da tristeza, do ódio, do complexo de inferioridade, da autocondenação, e outros sentimentos como senso de desvalor.
As decisões erradas que tomamos podem trazer várias consequências que ferem a nossa alma e que fazem-nos sentir remorsos, arrependimento, autocondenação e culpa. Quando constatamos que tomamos atitudes erradas devemos perdoar a nós próprios, pois somos tão falhos como todos homens a nossa volta. Deus oferece-nos o Seu perdão e por isso devemos aceita-lo e seguir em frente.
Davi, depois do adultério que cometeu com Beta-Seba, foi confrontado pelo profeta Natã e arrependeu-se do seu pecado. Depois de saber que o filho que tivera com Bete-Seba morrera, Davi parou se chorar por ele, e levantou-se lavou-se, adorou a Deus, comeu, e consolou a Bete-Seba que voltou a conceber. Davi perdoou-se a si mesmo pelo que acontecera, (pelo adultério que cometeu e pelo homicídio que encarregou), aceitou o perdão que Deus lhe ofereceu e seguiu em frente com a sua vida.
Deus, depois de nos perdoar esquece-se dos nossos pecados ou seja, transforma-nos de forma a utilizar os nossos pecados em algo bom para nossa vida. Deus perdoou Davi, e por isso aceitou o relacionamento de Davi com Bete-Seba abençoando a relação deles com o nascimento de Salomão que fez parte da genealogia do nosso Senhor Jesus Cristo.
A falta de perdão é outro fator que fere a alma do homem, e para além disso é contra a vontade de Deus, pois o Senhor Jesus ordena-nos que perdoemos aqueles que nos ofenderam. “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens (as suas ofensas), tampouco vosso pai vos perdoará as vossas ofensas” Mt 6:14-15.
O nosso Deus é um Deus cheio de misericórdia, que, por amor, entregou o Seu Filho para que morresse por nós, para que fossem perdoados aos nossos pecados. Por isso como filhos de Deus devemos ser como o Pai, misericordiosos, capazes de perdoar as faltas cometidas contra nós. “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros como também Deus, em Cristo, vos perdoou” Ef 4: 32. A falta de perdão aprisiona o crente a sentimentos de amargura, ressentimento, vingança, e de ódio, que ferem, sujam o seu coração e dá oportunidade a Satanás apara manipular a sua vida.
A falta de identidade em Cristo também pode podem abrir portas para situações de desilusão, rejeição, e por isso pode originar feridas na alma. A nossa identidade deve estar baseada na pessoa de Jesus Cristo, que morreu na cruz do Calvário por amor de nós. Por isso, não vivemos para ser amados mas, sim, para amar como Jesus nos amou. O amor de Jesus nos preenche totalmente e capacita-nos para amar o próximo como Deus deseja que amemos. Quando o homem inverte a sua função, de aquele que deve amar para aquele que deseja ser amado, acaba por colocar expetativas no homem que só devem ser colocados em Deus e desilude-se ficando com a alma magoada.
Quando nos vemos como Deus nos vê, não deixamos espaço para autopiedade, complexos de inferioridade, porque reconhecemos que somos filhos de Deus e co-herdeiros com Cristo, e que já fomos abençoados com todas as bênçãos celestiais em Cristo Jesus. Deus ama-nos com amor intenso, e dá-nos muito valor, a ponto de ter dado o que tinha de mais precioso, o Seu Filho para que pudéssemos ter comunhão com Ele, e viver para sempre no seu reino. Com Jesus podemos todas as coisas, pois Ele vive em nós, e nos capacita para que vivamos uma verdadeira vida.
Assim, para alcançarmos a cura interior devemos perdoar-nos das escolhas erradas que fizemos e das consequências que essas escolhas tiveram; devemos perdoar a aqueles que nos ofenderam, e também devemos renovar a nossa mente para que tenhamos a identidade em Cristo e nos vejamos como filhos de Deus com a missão neste mundo, de amar ao nosso próximo como Jesus nos ama.
 
 
 

quinta-feira, 26 de março de 2015

O nosso coração: o cerne da santidade


Na Bíblia, o coração tem um papel muito importante na vida espiritual do homem, pois constitui tanto a mente, como a sede das suas emoções e vontades. O coração é descrito muitas vezes como a mente, o local onde o homem processa as informações captadas do exterior, e o órgão através do qual pensa e toma decisões.

Por isso, o livro de Provérbios descreve, que, o que mais importa ser guardado na vida do homem é o coração, pois é através dele que o homem pensa, raciocina, e toma todas as decisões importantes na sua vida. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida” Pv 4:23.

O nosso Mestre reforça a importância do coração dizendo-nos que é do coração que procedem os maus pensamentos, as mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfémias e todas as atitudes que vão contra a Palavra de Deus. “Porque do coração procedem os maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfémias” Mt 15:19.

No nosso dia-a-dia, somos confrontados com diversas informações e contactamos com um mundo que tem uma forma de pensar e de agir diferentes da Palavra de Deus. Por isso devemos ter cuidado com o que olhamos e com o que ouvimos, para que não entrem ideias que sujem o nosso coração, fazendo-nos pensar de forma contrária a Palavra de Deus.

Deus salvou-nos para que fossemos santos e a nossa santidade passa por um coração puro, sem duplicidade. Devemos ser santos como o Senhor é Santo e ter um interior que Lhe agrade, pois Ele habita em nós através do seu Santo Espírito e não suporta o pecado. Portanto, para termos comunhão com Ele devemos ter um coração puro, ou seja, devemos ser santos como Ele é Santo.

Para preservarmos a santidade do nosso coração não devemos alimentar no nosso pensamento invejas, mágoas, rancores, ódios, ciúmes e maus pensamentos em relação ao nosso próximo. Quanto maior o número de pensamentos contrários a Palavra de Deus, maior é o nosso afastamento do ideal de Deus para o nosso coração. Deus deseja que sejamos meninos na malícia, e que não sejamos hipócritas, pensando mal do nosso próximo e agindo com falsidade.

A duplicidade nos pensamentos que temos em relação ao nosso próximo, em relação a Deus, é algo que desagrada ao nosso Mestre e origina uma caminhada com Deus inconstante. Por isso o apóstolo Tiago diz-nos: “homem de ânimo dobre, inconstante em seus caminhos.”Tg 1:8. Com dois tipos de pensamentos na sua mente, um de acordo com a Palavra de Deus e outra de acordo com a carne, o homem acaba por ter, por vezes, atitudes de acordo com a Palavra de Deus e outras, de acordo com a carne e com os critérios do mundo.

O nosso Deus aconselha-nos, através da epístola de Tiago, a limpar o nosso coração se constatarmos que temos um coração dobre, ou seja, com duplicidade. “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vos outros. Purificai as mãos, pecadores e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração.” Tg 4:8. Para limpar o nosso coração demos detetar as ideias da nossa mente que são contrárias e Deus remove-las, levando cativo cada pensamento contrário a Deus, e tomando as nossas atitudes de acordo com a Palavra do Mestre.

Para servirmos a Deus, para termos atitudes que louvam ao Mestre devemos ter o nosso coração puro e guardarmos o nosso coração de tudo o que possa contamina-lo. Servir o Mestre é segui-Lo, andando na Luz e cumprindo os seus mandamentos.” Se alguém me serve, siga-me, e, e onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.” Jo 12: 26.

O nosso Deus quer e ordena que O amemos com todo o nosso coração, com todo a nossa alma, e acima de todas as coisas. Por isso devemos purificar as nossas motivações, não fazendo a Sua vontade apenas para sermos vistos pelo homem, mas na plena vontade de agrada-lo, por gratidão e amor. “ Respondeu-lhe Jesus: amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.” Mt 22: 37.

Devemos também amar ao nosso próximo ardentemente, da mesma forma como o Senhor Jesus nos ama, para agradar ao nosso Deus, pois este é um mandamento do nosso Mestre. “O meu mandamento é este: que vos ameis uns outros, assim como eu vos amei.”Jo 15:12.

Devemos entregar o nosso coração ao nosso Senhor, aceitar os seus caminhos, ou seja, os caminhos que Ele tem para as nossas vidas. Deus pede o nosso coração, e deseja que nós nos agrademos dos Seus caminhos “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.” Pv 23:26. É necessário também perdoar a todos os que nos tenham ofendido para não sujarmos o nosso coração com amargura e para podermos ter a santidade que Ele deseja para nós.

terça-feira, 24 de março de 2015

Batismo: anúncio do sepultamento do velho homem


O batismo simboliza o nosso sepultamento, a morte do nosso velho homem e a nossa ressurreição para uma nova vida liberta do poder do pecado; isso é possível devido a morte e a ressurreição do nosso Senhor Jesus Cristo.
O nosso velho homem é a nossa carne, a nossa natureza pecaminosa, inclinada a maus desejos, e as paixões mundanas. Depois do batismo a carne ainda existe na nossa vida, e por isso a crucificação da nossa carne, tem de ser um processo contínuo ao longo de toda vida.
O Senhor Jesus diz-nos, que quem deseja segui-lo e ser seu discípulo deve a cada dia negar a sua carne, a sua velha natureza e carregar a sua cruz, sendo obediente a Sua Palavra e as Sua voz. “ Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após min, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.” Mt 16:24. O ato de carregarmos a nossa cruz traduz-se em santificação das nossas vidas.
O apóstolo Paulo diz-nos na epístola aos Colossenses que devemos fazer morrer a nossa velha natureza, ou seja ,o nosso velho homem, não alimentando pensamentos contrários a Palavra de Deus, e não cedendo aos maus desejos da carne através de atitudes pecaminosas. “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria” Cl 3: 5.
No batismo, anunciamos a morte da nossa carne e a ressurreição para uma nova vida. O início do sepultamento da nossa carne aconteceu quando aceitamos Jesus Cristo como Senhor e Salvador das nossas vidas, e com a vivificação do nosso espírito através do Espírito Santo que começa, então, a trabalhar na nossa alma mudando, os nossos pensamentos e atitudes.
Todos os cristão batizados, foram sepultados com Cristo pelo batismo, para que assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos, assim também andemos em novidade de vida; assim, vivemos agora para Deus e não mais para o pecado. “Fomos pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.” Rm 6: 4.
O Espírito Santo convence-nos dos nossos pecados, a medida que vamos abrindo espaço para Ele nas nossas vidas; e por isso vamo-nos arrependendo e deixando o que desagrada a Deus. Arrependimento, por isso, implica mudar de convicção e traduz-se numa mudança de comportamento, em direção a vontade de Deus.
O Senhor Jesus indicou aos discípulos que deveriam batizar a todos os que cressem no Seu nome, e por isso, hoje, todos os que creem em Jesus Cristo como Senhor e Salvador das suas vidas devem se batizar. “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” Mt 28:19.
O batismo é uma ordenança de Jesus Cristo e por isso, todos devemos ser batizados. O batismo simboliza o sepultamento do nosso velho homem. Contudo, não nos podemos esquecer que a nossa carne ainda está em nós e que por isso devemos a cada dia fazer morrer a nossa carne não alimentando os seus desejos e não cedendo espaço na nossa mente para pensamentos contrários a Palavra de Deus.

quinta-feira, 19 de março de 2015

A última Páscoa


A última Páscoa descrita na Bíblia foi a última Páscoa celebrada por Jesus com os seus discípulos, foi também a noite em que Jesus foi traído. A festa dos pães asmos ou a Páscoa passou a ser, desde então, um símbolo da libertação do povo de Deus do pecado através do sacrifício do verdadeiro cordeiro Pascal, Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Na sua última ceia com os discípulos, antes de ser sacrificado o Senhor, institui uma nova, e mais significativa ceia, a celebração da Sua morte e ressurreição. Com esta noite, terminou a dispensação judaica e iniciou-se a fase da nova aliança no sangue de Jesus, a fase da Graça.

O Senhor Jesus, o nosso Mestre tinha tido ansiosamente vontade de comer a Páscoa com os discípulos, e por isso, o nosso Deus conduziu os preparativos da comemoração, indicando aos discípulos onde deveriam dirigir-se para preparem a festa da Pascoa. Este momento era de extrema importância, tinha sido o objetivo da vinda de Jesus á terra, e finalmente chegara a hora em que o nosso Senhor seria entregue como sacrifício, para perdão dos nossos pecados.

Nesta importante noite, o Senhor Jesus instituiu a Santa Ceia, ensinando-nos a comer da Sua carne e a beber do Seu sangue, pois o seu sangue é o sangue da nova aliança, derramado em favor de nós. “Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” Mt 26: 26-28.

Devemos por isso tomar a Santa Ceia para sermos obedientes ao Senhor, pois o nosso Mestre mandou-nos fazer isso em memória Dele (1 Co 11:24), como forma de confessarmos que somos salvos e perdoados pelo sangue de Jesus. É importante que tomemos a Santa Ceia, para termos comunhão com Cristo e com o seu corpo, ou seja, com os outros crentes. Quando tomamos a santa ceia celebramos a comunhão do sangue e do corpo de Cristo (1Co 10:16).

O nosso Senhor, o Cordeiro de Deus, merce toda a nossa honra e todo o nosso louvor, pois Ele deu-se em sacrifício vicário por nós pecadores, e padeceu em nosso lugar, para que fossemos perdoados e gozássemos a vida eterna. ”e entoavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abri-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, (…) Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” Ap 5: 9, 13.

O nosso Senhor, foi prepara-nos lugar no céu, e voltará para buscar a sua Igreja, por isso devemos alegrar-nos e animar-nos com essa gloriosa esperança. Devemos também estimular-nos a viver de forma que agrade ao nosso Mestre, para que estejamos prontos para a sua vinda. Quando o Senhor voltar, o Senhor exigirá prestação de contas das nossas vidas. Cada vez que tomamos a Santa Ceia anunciamos a morte do Senhor Jesus, e devemos fazer isso até que o Senhor venha buscar a Igreja (1Co 11: 26).

A noite em que Jesus foi traído foi, então, a última Páscoa descrita pela Bíblia, e marca o início da nova aliança, no sangue de Jesus e, assim, a Páscoa deixa de ser a celebração da proteção do povo de Deus pelo sangue do cordeiro imolado, que impediu os primogénitos de Israel de serem mortos, e passa a ser a celebração da proteção do povo de Deus pelo sangue do verdadeiro cordeiro Pascoal, o Senhor Jesus, o Filho de Deus, que foi sacrificado em lugar de todos os pecadores, dando-nos acesso a vida eterna.

domingo, 15 de março de 2015

Os quatro pecados do povo de Israel


Antes do exílio o povo de Israel foi diversas vezes alertado sobre os seus pecados, e sobre tudo aquilo que fazia que desagradava a Deus. Diversos profetas foram enviados por Deus para falarem a Israel, mas mesmo assim, o povo não deu ouvidos.

Hoje o povo de Deus, a Igreja de Jesus passa pelo mesmo privilégio de ser admoestada pelo Senhor, através da Sua Palavra, dos seus profetas e também através de diversas circunstancias adversas que Deus utiliza para avisar ao seu povo de que precisam de voltar-se mais para Ele e de abandonar coisas que impedem a santidade nas suas vidas. Os quatro pecados mais frequentes do povo de Israel será descrito a seguir.

 

Não atender a voz de Deus

Deus fala com o seu povo, e quando o povo não atende a Sua voz, rejeita-O como Deus e como Senhor das suas vidas. É muito comum o povo de Deus ouvir a Sua Palavra, tanto nas igrejas como em suas casas, e no entanto não praticar aquilo que ouvem. Tudo o que Deus nos diz, para além de ser memorizado deve também ser posto em prática no dia-a-dia.

O nosso Mestre diz-nos que todos aqueles que ouvem a Sua palavra e que não a praticam são comparáveis a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia, e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto sobre aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína. (Mt 7:26-27). Não devemos ser imprudentes, ouvindo apenas a apalavra e não a colocando em prática; devemos evitar correr o risco de a nossa fé ser como a casa edificada sobre a areia. Mesmo sabendo pouco, devemos por em prática o que sabemos. O apóstolo Tiago recomenda-nos “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmo mesmos. Tg 1:22.

 

Não aceitar a disciplina de Deus

Outro pecado frequente do povo de Israel, foi o fato de não aceitarem a disciplina, ou seja a correção de Deus. Nós somos filhos de Deus, e como filhos somos alimentados (através da sua Palavra), ensinados, orientados por Ele enquanto crescemos espiritualmente, rumo a imagem do nosso Senhor Jesus. Quando o nosso procedimento afasta-se dos seus padrões de santidade e de amor ao próximo, o nosso Pai corrige-nos, disciplina-nos para que andemos nos seus caminhos. “ Ouvi esta palavra, vacas de Basã, que estais no monte de Samaria, oprimis os pobres, esmagais os necessitados e dizeis ao vosso marido: Dá cá e bebamos.” Am 4:1

O povo de Israel muitas vezes não aceitava a disciplina de Deus e não corrigiam-se dos seus pecados. Deus muitas vezes disciplinava-os com perdas, com doenças e por outros modos diversos. O livro de Amós relata várias disciplinas aplicadas por Deus ao povo de Israel: “Também vos deixei de dentes limpos em todas as vossas cidades e com falta de pão em todos os vossos lugares; contudo, não vos convertestes a mim, disse o Senhor. Além disso, retive de vós a chuva, três meses ainda antes da ceifa; e fiz chover sobre uma cidade e sobre a outra, não; um campo teve chuva, mas outro, que ficou sem chuva, se secou” Am 4:6-7.

O povo de Israel demonstrou cegueira espiritual, pois não notou que, o que estava acontecendo volta deles era uma disciplina do Senhor, devido aos seus pecados, ou seja, devido ao afastamento do povo aos mandamentos do Senhor. Esta cegueira espiritual, demostrou-se na incapacidade de compreender e aplicar os mandamentos de Deus nas suas vidas.

 

Não confiar no Senhor

A falta de confiança em Deus também é algo que desagrada ao nosso Mestre, pois Jesus é o Verbo de Deus, a Verdade. Quando o homem confia na sua própria justiça, põe em descrédito a Palavra de Deus. O nosso Deus diz-nos na sua Palavra: “ Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como a árvore plantada junto as águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano da sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto.” Jr 17:7-8. Quando não acreditamos na Palavra de Deus fazemos de Deus mentiroso, o que é um pecado.

 

Não aproximar-se do Senhor

Quando estamos em pecado, devemos aproximar-nos de Deus com um coração arrependido, consciente do nosso pecado, e de que Deus é o misericordioso e nos perdoa, como um pai perdoa a um filho. Muitas vezes, tanto o povo de Israel como algumas vidas hoje, do corpo da Igreja, quando em pecado, afastam-se se Deus, buscam outros deuses, e rejeitam a Deus. Este pecado é contra a graça de Deus, que fez com que nos salvasse mesmo sem merecermos, através da morte do nosso Mestre na Cruz do Calvário. Essa atitude de rebeldia desola o coração de Deus que tanto nos ama. “ Mas este povo é de coração rebelde e costumaz; e rebelaram-se e foram-se “ Jr 5:23.

O nosso Deus esta sempre de braços abertos para nos receber, porque Ele é o nosso Pai e tem por nós grande amor. Quando tivermos pecado, podemos voltar para Ele na certeza que Ele espera por nós e quer restaurar-nos. Por isso, devemos deixar que Deus conduza a nossa vida como um pai faz com o seu filho, e aceitar a sua disciplina, para podermos viver na santidade que Ele deseja para as nossas vidas. Devemos também perdoar-nos a nós mesmos pois, mesmo que não tenhamos ouvido a Deus antes, podemos ouvi-Lo hoje; mesmo que nos tenhamos afastado Dele, podemos ainda nos aproximar Dele, pois o seu amor é incalculável.

quinta-feira, 12 de março de 2015

O crescimento da fé


A fé do crente é o elemento que o capacita a vencer o mundo cheio de corrupção que o rodeia. A fé é a resposta do homem a Deus, á sua Palavra, poder e amor. Essa resposta consiste na aceitação, na confiança e na obediência da Palavra de Deus.

O mundo tem uma filosofia, e princípios contrários a Palavra de Deus, pois é habitual e aceitável, sentimentos e atitudes como a maledicência, a vingança, a inveja, o ciúme, o rancor, o ódio, o adultério e muitas outras coisas. Deus reprova tais sentimentos e atitudes e deseja, pelo contrário, que nós não cobicemos (nem objetos, nem pessoas), nem invejemos, que nós perdoemos, que nós abençoemos, que nós não adulteremos, que nós não digamos falsos testemunhos, nem que nos vinguemos; em resumo, Deus quer que amemos a Deus a cima de todas as coisas e ao nosso próximo como a nós mesmos.

A nossa fé em Deus, ou seja, a nossa resposta de aceitação, confiança e obediência a Palavra de Deus, é o que nos faz vencer o mundo. Na primeira epístola de João está escrito “porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” 1Jo 5:4. Para que a nossa fé cresça é necessário uma renovação dos hábitos diários, pela renovação da mente.

Por isso, após a aceitação de Jesus como Senhor e Salvador das nossas vidas, é necessário renovar a mente, para que hábitos e formas de pensar mundanas sejam retiradas da nossa mente e para adquirirmos uma nova mentalidade, que se assemelhe a mente de Cristo. O apóstolo Paulo aconselha-nos, a não adquirirmos a forma deste mundo, ou seja, a sua forma de pensar, mas a renovar a nossa mente: “E não vos conformeis a este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Rm 12:2.

Com a renovação da nossa mente, e substituindo os conceitos carnais e mundanos que existiam em nós, pela maneira de Deus de pensar, pela Sua Palavra, somos preparados para praticar aquilo que é agradável a Deus, ou seja, somos preparados para cumprir os seus mandamentos e tudo o que é recomendado pela sua Palavra.

A fé, portanto, aumenta a medida que renovamos a nossa mente e adquirimos a mente de Cristo. Isto porque, quando temos ideias contrárias a Palavra de Deus, não conseguimos ter confiança na sua Palavra e também não conseguimos responder a Palavra de Deus com obediência.

A Palavra de Deus, no crescimento da fé, é fundamental, pois é a Palavra de Deus que nos mostra o que é agradável a Deus, e a forma como devemos viver. Para obedecermos a Deus, temos de saber o que Ele deseja de nós. A meditação da Palavra de Deus é, portanto, fundamental para o crescimento da fé. Outro elemento importante é o praticar a Palavra de Deus. A obediência a Palavra de Deus, a prática da vontade do nosso Mestre, é um alimento que devemos ingerir todos os dias. Devemos, portanto, seguir o nosso Mestre, que dizia: “Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.” Jo 4:34.

Todos os pensamentos de dúvida da Palavra de Deus são uma ameaça a nossa fé, e muitas vezes essas ideias vêm do diabo, o nosso inimigo. O fundamento da nossa fé é a Palavra de Deus, e a Bíblia, descreve que sempre que o diabo experimentou tentar o homem foi lançando dúvidas sobre a Palavra de Deus (Gn 3:1, Mt 4:6). Devemos, por isso, ter cuidado com pensamentos dessa natureza.

A fé é uma condição essencial para a nossa vida cristã: o crente só vive a vida que Deus tem preparada para ele, se acreditar, confiar e obedecer a Palavra de Deus. O apóstolo Paulo também afirma sobre esse fato: “ É evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé” Gl 3:11.

A fé deve ser preservada e fortalecida a cada dia, para isso devemos cultivar a obediência a Palavra de Deus, devemos purificar a nossa mente e o nossas emoções de forma a que ao agirmos façamos a vontade de Deus. O apóstolo Paulo recomenda-nos na epístola ao Filipenses “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso que ocupe o vosso pensamento.” Fp 4:8.O nosso coração renovado, a cada dia, a meditação da Palavra de Deus e a prática da vontade de Deus são os elementos essenciais para o crescimento da nossa fé.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Esperar em Deus


O ser humano geralmente tem dificuldade em esperar, em aguardar a solução e proveniência de Deus. Deus é o Criador de tudo o que existe, e é capaz de qualquer milagre, mas existem alguns processos nas nossas vidas que exigem tempo, para que aquilo que Deus prometeu possa crescer e vir como um bebé ao mundo.

Esperar em condições dolorosas pode gerar impaciência, e alguma dúvida. Por isso é necessário que aquele que espera encha-se do Espírito Santo, para que tenha o consolo e o fortalecimento que precisa durante esse tempo. O Espírito Santo permite ao crente esperar com propósito, com firmeza, e na comunhão da Igreja.

Durante a espera é necessário que o crente busque a Deus, que ande, a cada dia, em obediência a palavra do Mestre, que busque a Deus em primeiro lugar e confie que o Senhor fará a sua parte. Existe portanto, duas coisas que o crente precisa de fazer enquanto espera: fazer a sua parte como crente, e não fazer as coisas que só cabem a Deus fazer.

Os crentes, como filhos de Deus e servos têm o dever de obedecer aos mandamentos e a toda vontade de Deus descrita na Bíblia. Enquanto espera, o crente deve continuar a servir a Deus, a amar ao próximo, a evitar todas os atos mundanos, como invejar, maldizer, vingar-se, odiar, adulterar entre outras coisas. Para além disso o crente deve também vigiar a vinda do nosso Senhor Jesus.

Para vigiar, o crente deve, para além de multiplicar os talentos que lhe foram dados, vigiar também os seus pensamentos e atitudes para que estas não desagradem ao Espírito Santo. Para além de cuidar da sua vida espiritual o crente deve também cuidar de si e fazer o que lhe cabe como homem: cuidar da sua alimentação, trabalhar e manter relacionamentos saudáveis com os seus familiares e amigos.

Existem coisas que só podem ser feitas por Deus, e quando Deus dá-nos uma promessa não devemos tentar resolver as coisas a nossa maneira. Abraão, já era de idade avançada quando recebeu de Deus a promessa de que seria pai de um filho que originaria uma grande nação. Sara, vendo que não engravidava, e que o tempo ia passando, sugere a Abraão tomar como mulher a sua escrava Agar para que ela lhe dê um filho. “Então, Sarai, mulher de Abraão, tomou a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, depois de ele ter habitado por dez anos na terra de Canaã” Gn 16:3. Essa atitude custou a Abraão e a Sara muitos problemas e a escrava de Sara, Agar, deu a luz a um filho, Ismael, que originou um povo que estava em constante conflito com o povo de Deus.

Davi, tinha a promessa de Deus de que seria rei de Israel. Em algumas situações, Davi poderia ter tentado diminuir o tempo da sua espera, e aproveitar para matar Saul de forma a que ficasse com o trono rapidamente. No entanto, Davi, quando teve a oportunidade, não matou a Saul, mesmo sabendo que enquanto Saul estivesse vivo, Davi não poderia ser rei, pelo fato de Saul ser o rei de Israel.

Davi preferiu esperar em Deus, não matou a Saul quando este estava a sua mercê, na caverna onde entrara para aliviar o ventre, mas pelo contrário, temeu a Deus, não quis tocar no ungido de Deus, porque amava mais a Deus do que a ideia de ser Rei de Israel. “Chegou a uns currais de ovelhas no caminho, onde havia uma caverna; entrou nela Saul, a aliviar o ventre. Ora, Davi e os seus homens estavam assentados no interior da mesma (…) e disse aos seus homens: O Senhor me guarde de que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do Senhor” 1Sm 24:3,6. Saul acabou, no meio de uma batalha contra os filisteus, por matar-se, e assim ninguém estendeu a mão contra o ungido de Deus, e Davi, consegui subir ao trono de Israel sem pecar contra Deus.

Deus aconselha-nos através da Bíblia:” Espera no Senhor, segue o seu caminho, e ele te exaltará para possuíres a terra; presenciarás isso quando os ímpios forem exterminados” Sl 37: 34.Enquanto esperamos devemos seguir os caminhos do Senhor, ou seja, devemos fazer a sua vontade, obedecer ao seus mandamentos, e o Senhor tudo fará por nós.

 

terça-feira, 10 de março de 2015

Seja forte e corajoso


A Bíblia indica-nos a força e a coragem como algo que devemos conservar ao longo da nossa caminhada cristã. A força é a capacidade de cumprir uma determinada atarefa árdua ou custosa. É a força que impele-nos para ao movimento em direção a uma determinada ação. A coragem, por seu lado, pode ser definida como confiança ou força espiritual para ultrapassar uma circunstância difícil; coragem também pode ser sinónimo de perseverança para enfrentar algo árduo.

Por isso Deus diz-nos que sejamos fortes e corajosos para cumprir os mandamentos que Ele nos deixou. Num mundo que se opões ferozmente a vontade de Deus e que tudo faz para desanimar os crentes na sua caminhada cristã, precisamos de força e coragem para continuar, a cada dia, seguindo a Jesus Cristo, isto é, ter uma confiança em Deus para superar os obstáculos que vão surgindo no nosso caminho. A cada dia somos obrigados a ser corajosos, a perseverar na Palavra de Deus.

Deus diz-nos através da Bíblia “ Tão somente sê forte e corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que o meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita e nem para a esquerda, para que sejas bem sucedido por onde quer que andares ”Js 1:7. O Senhor, nosso Deus, recomenda-nos que sejamos fortes e corajosos para cumprir os seus mandamentos, a sua Palavra, para não nos desviáramos dos caminhos que Ele nos mostrou.

Os mandamentos do Senhor Jesus implicam renegar a carne, e perdoar o nosso irmão, implicam também não cobiçar ou invejar nada do próximo, nem adulterar, maldizer, odiar, ou matar. No mundo, muitas coisas condenadas por Deus como invejar, adulterar, odiar, maldizer, e a vingança, são práticas comuns e aceites por todos. Para seguir um rumo contrário ao mundo, é necessário força, empenho, uma confiança em Deus e nas suas promessas, que nos movam em direção aos seus caminhos.

O Senhor Jesus, o nosso Mestre, venceu o mundo, a cada dia em que esteve na terra e finalmente quando derrotou a morte e o inferno com a Sua morte na cruz do Calvário. Jesus Cristo foi vitorioso sobre a concupiscência da carne, sobre a concupiscência dos olhos e sobre a soberba da vida. Quando Satanás utilizou estas armas para tentar Jesus (Mt 4:1-11) não conseguiu tentar o nosso Mestre. A Bíblia, na epístola aos Hebreus diz-nos que o Senhor em tudo foi tentado mas sem pecado: “ Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.” Hb 4:15.

A concupiscência da carne inclina o homem para a satisfação imediata dos desejos desenfreados da carne (comer, beber e fazer sexo). A concupiscência dos olhos inclina o homem para a cobiça de ter tudo aquilo que os seus olhos conseguem ver. A soberba da vida, ou seja o sentimento de superioridade em relação as outras vidas, faz o homem inclinar-se para a valorização excessiva, para a busca de status social por ao orgulho. A soberba da vida também gera contendas e ausência de misericórdia em relação as outras vidas.

Na nossa caminhada cristã devemos ser fortes e corajosos para podermos também ficar firmes na fé quando pessoas se levantam contra nós. Por vezes homens perversos levantam-se contras nós, planeiam algo com o objetivo desejo de fazer-nos algum dano na nossa vida. Precisamos de ser fortes e corajosos para mantermos a nossa fé nessas alturas e cumprir os mandamentos do Senhor e também para perdoar aqueles que nos atacaram. Por vezes o próprio diabo utiliza pessoas com mentes suscetíveis a ideias malignas e de caráter corrompido para atingir-nos. Por isso temos de vigiar, e não deixar ideias malignas, contrárias a Palavra de Deus entrem na nossa mente, para não deixarmos de amar ao nosso próximo e para não sermos utlizados pelo diabo.

Por vezes, quando não alcançamos o que desejamos, nos sentimos derrotados, e precisamos de manter a confiança em Deus e de ter força e coragem para permanecer nos caminhos do Senhor: ” Bem-aventurado o homem cuja a força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados” Sl 84:5. É bem aventurado o homem que confia no Senhor, e que resiste a tentação e escolhe obedecer ao Mestre, porque confia nas promessas e no amor do nosso Deus.

A Bíblia refere vidas que preferiram, em situações de tentação, obedecer ao Senhor e aos seus mandamentos. Daniel, quando jovem, preferiu ser atirado a uma fornalha ardente do que adorar a outro deus que não fosse o Senhor (Dn 3:12, 20). Anos mais tarde, quando mais velho, preferiu ser atirado a uma cova cheia de leões do que deixar de orar a Deus (Dn 6:10,16-23). José era um jovem temente a Deus, formoso a vista, e atraiu a atenção da mulher de Potifar, que o convidou a deitar-se com ela. José foi sujeito a tentação de deitar-se com a mulher de Potifar, mas preferiu fugir dos insistentes convites dela (Gn 39: 9,12). José tinha duas escolhas: fugir, ou deitar-se com ela e justificar-se que ela o tinha seduzido, mas preferiu ser temente a Deus.

O mundo e as diversidades da vida querem muitas vezes fazer-nos deixar de acreditar nas promessas que Deus deu as nossas vidas, mas devemos ser fortes e corajosos e movimentar-nos em confiança nas promessas de Deus. Devemos olhar firmemente em de Jesus e para as suas promessas, principalmente na promessa da vida eterna e descansar no seu amor.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Muros na vida do crente


A vida do crente muitas vezes é comparada com a cidade de Jerusalém, com o seu templo e muros. Os murros da cidade de Jerusalém desempenhavam um papel muito importante, pois eram eles que protegiam o povo dos ataques dos inimigos. Sem os muros a cidade ficava vulnerável a todo tipo de ataques e a destruição.

Na nossa vida, a nossa alma tem o papel dos muros, protegendo a vida espiritual e proporcionando um lugar de santidade para a habitação do Espírito Santo. Quando a alma do homem não consegue dominar o seus impulsos e emoções de maneira a obedecer a Deus, torna-se vulnerável a todo o tipo de ataques, tanto do diabo, como as inclinações da carne. Os seus murros precisam então de ser reparados, e as suas brechas preenchidas, de forma a tornar-se resistente aos ataques.

A Bíblia, no livro dos Provérbios, compara da seguinte forma, o homem sem domínio próprio: “Como cidade derribada, que não tem murros, assim é o homem que não tem domínio próprio” Pv 25:28. O homem sem domínio das suas emoções, dos seus desejos, ou seja sem domínio próprio, é um homem vulnerável a todo o tipo de sugestão maligna, e de toda a tentação, pois não tem a capacidade de controlar as suas emoções e vontades de forma a obedecer a Deus e a Sua Palavra.

Por isso, um homem sem domínio próprio, tem os seus murros destruídos, e a sua alma, como um todo, (pensamentos, vontades, emoções) precisa de ser restaurada, para que consiga decidir e agir de forma que agrade a Deus. A Palavra de Deus restaura a alma do homem, mostrando ao crente o que é ou não bom para Deus. Contudo, o homem tem um papel ativo na restauração da sua alma, cabendo a ele a escolha de obedecer a Deus, depois de ouvir a Sua Palavra e a direção do Espírito Santo.

Como o homem, possui também o corpo, que é a parte inclinada para o pecado, ele mesmo tem de domar a sua carne e as suas vontades. O apóstolo Paulo diz-nos sobre isso: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo a escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” 1Co 9:27. Cabe ao crente, reduzir a escravidão ao seu corpo, dominando-o de forma que seja instrumento de justiça e não do pecado.

Por outro lado, a mente, depois de o homem ser salvo, continua com a mesma com forma de raciocinar sobre o mundo e por isso também tem de ser salva, ou seja restaurada de forma a que esteja dentro dos padrões estabelecidos por Deus. Para isso, devemos vigiar as ideias que nos veem a mente, pois nem todas são de Deus (podem ser também do mundo e do diabo). É preciso que o homem leve cada pensamento que não está segundo a Palavra de Deus cativo a obediência a Jesus Cristo “e toda a altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o pensamento a obediência de Cristo,”2Co 10:5.

O processo de restauração da mente é um processo demorado, que exige tempo e esforço e que vai progredindo a medida que conhecemos a vontade de Deus e a obedecemos. O Espírito Santo é fundamental na nossa restauração, pois Ele nos conduz, e nos convence das áreas em que devemos melhorar (áreas que não estão de acordo com a Sua vontade). Contudo, na restauração, Deus não altera a nossa personalidade, aquelas características que nos distinguem uns dos outros, e que nos fazem por exemplo, gostar mais de cinema do que teatro, ou mais da área de economia do que a área do direito.

O Espírito Santo não despreza os nossos dons e talentos, gostos e preferências, dados por Deus, mas sim transforma aquilo que não agradava a Deus, em algo bom, e para sua Glória. Quando em restauração o homem é como um vaso quebrado, ao qual Deus ajunta cada peça com uma cola inviolável, e todos os gostos e talentos ficam no seu lugar. Apenas o que não é bom, e que não agrada a Deus é retirado da alma do homem.

O nosso Senhor Jesus Cristo salvou-nos através da Sua Morte na cruz do Calvário, e deseja para as nossas vidas santidade, tanto nos nossos pensamentos como nas nossas atitudes. Para a adoração e para a convivência com Deus é necessário santidade na vida do crente. Por isso é muito importante o domínio próprio, a existência de murros na vida do crente que o protejam das circunstâncias e das tentações.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Mordomia das oportunidades


Durante a nossa existência temos diversas oportunidades. Elas veem e passam. Por isso devemos seguir o conselhos dados pelo nosso Deus através das Sagradas Escrituras e aproveitar as oportunidades surgidas na vida, pois elas não podem ser desperdiçadas; podem não aparecer na mesma proporção e nem na mesma situação.

O apóstolo Paulo aconselha-nos a agir com sabedoria, ou seja, a pesar bem as escolhas e a julgar as alternativas, mantendo os propósitos de Deus (santificação, testemunho, louvor a Deus), e seguindo as diretrizes da Palavra de Deus. A sabedoria deve ser fruto do temor a Deus e do respeito pela sua Palavra. As escolhas devem ser pesadas e as alternativas julgadas porque elas têm consequências no nosso processo de santificação, na nossa comunhão com Deus e com o nosso próximo. O caminho de temor a Deus trás propósito e significado a vida e o desenvolvimento de um bom relacionamento com Deus.

Cada vez que o homem peca, ou seja, deixa de perdoar a seu irmão, fica com amargura, ou prostitui-se, a sua comunhão com Deus fica quebrada, embora o Seu amor continue o mesmo. Por isso a cada momento da nossa vida temos a oportunidade de fazer escolhas que podem contribuir para melhorar o nosso relacionamento com Deus e com o nosso próximo. Na epístola aos Colossenses o apóstolo Paulo aconselha-nos: “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades” Cl 4:5.

Nos nossos tempos, os desafios aos cristãos são cada vez maiores, e o mundo oferece caminhos que não são recomendados pela Palavra de Deus. A porta e o caminho para a vida eterna são estreitos, exigem renúncia da nossa carne, e uma obediência constante a Palavra de Deus. O nosso Mestre veio a terra e ao morrer na Cruz, pagou o preço para a salvação de todo aquele que Nele crê. Assim como Jesus veio a terra ele voltará para buscar a sua igreja, e por isso os crentes devem estar prontos a cada dia para a vinda de Jesus: “Portanto, vede prudentemente como andais, não somo néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.” Ef 5: 15-16.

Uma das oportunidades que a cada dia surgem para aqueles que ainda não são crentes é o de aceitar Jesus como Senhor e Salvador das suas vidas. O Senhor, a cada dia, espera gentilmente que o homem o aceite como Senhor e Salvador. O homem tem a oportunidade de escolher entre a vida eterna e a morte eterna, entre viver segundo a Palavra de Deus e viver de forma que desagrade a Deus, pois o homem é munido de capacidade de decisão, ou seja de livre arbítrio. A Bíblia recomenda-nos: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” Is 55:6.

O nosso Senhor Jesus bate a cada dia nos nossos corações esperando que nós abramos a porta do nosso coração e o deixemos entrar. A nós, cabe a decisão de deixar o Mestre, a Luz do mundo, entrar nos nossos corações, para que tenhamos um relacionamento com Ele e recebamos a vida eterna: ”Eis que estou a porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” Ap 3:20.

Apesar de o pecado ser comum nos dias de hoje, temos a oportunidade diária de abandonar os nossos pecados, e de consagrar a nossa vida ao serviço de Deus. A primeira coisa que Deus requer das nossas vidas ao chamar-nos para a comunhão com Ele é a santificação, a separação do pecado, para podermos viver uma vida agradável e Ele e servi-lo. Por isso o apóstolo Paulo recomenda-nos “pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado.” Hb 3:13.

A cada dia temos também a oportunidade de praticar as boas obras que o Senhor nos ordenou; temos a oportunidade de defender o órfão, a viúva, o estrangeiro e o necessitado. Temos a oportunidade de enriquecer para Deus, de ajudar aqueles que têm fome, sede, e aqueles que precisam de ser vestidos. Com essas obras servimos ao nosso Deus e ao próximo; alegramos o coração do nosso Deus e ao Espírito Santo.

O nosso Mestre diz-nos no evangelho segundo Mateus a propósito da entrada no Céu: “ Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me deste de beber; era forasteiro, e me hospedastes, estava nu e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e foste ver-me. (…) Então, responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixaste de fazer” Mt 25:35-36, 45.

A cada dia temos também a oportunidade de viver com Senhor no reino celestial, por isso devemos também, a cada dia, estar prontos para a vinda do Senhor Jesus, como as virgens prudentes que aguardavam o Senhor munidas de azeite e como os servos que multiplicaram os talentos que o seu senhor lhes confiou.

Diariamente cuidamos também de aspetos relacionados com o pão de cada dia, e por isso também devemos aproveitar as oportunidades dadas por Deus para ganharmos o pão de cada dia de acordo com a vontade de Deus e com a sua palavra. Devemos pedir a Deus que nos conceda corações sábios, e que nos capacite a remirmos o nosso tempo, para aproveitarmos as oportunidades no mundo em que nos encontramos.

 

terça-feira, 3 de março de 2015

Desilusão: uma fraqueza do homem



A desilusão é algo que muitas vezes magoa o homem e deixa marcas no coração como revolta, ressentimento, e ódio. Por isso o nosso Deus aconselha-nos a não colocarmos a nossa expectativa ou esperança no homem e a não fazermos dele a nossa fonte de resolução dos nossos problemas. Deus também aconselha-nos a não fazermos do homem o nosso motivo de viver.

Quando o homem coloca no homem atributos divinos, e espera dele uma fidelidade ou bondade que só Deus pode ter para com o homem, desilude-se. O mesmo acontece quando o homem vê o outro ser humano como elemento essencial para a sua felicidade ou o seu motivo para viver. Essa postura perante outro ser humano torna-o frágil perante situações de desilusão, ou seja em situações em que o outro homem não consegue satisfazer as expectativas, ele fica desiludido, magoado e sem forças para viver.

Por isso o Senhor nosso Deus diz-nos: “Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR!” Jr 17:5 Quando o homem coloca expetativas muito altas no outro ser humano, e tira a sua confiança em Deus, fica sujeito a sentir-se sem amparo, e sem forças para viver.

Por isso o nosso coração deve estar centrado em Deus, e devemos tê-Lo como nosso objetivo de viver. Ao colocarmos expectativas humanas no homem, ao vermos que o homem é falho, e sujeito a erros, seguimos a vontade do Espírito Santo e temos maior facilidade de perdoar e ficamos livres de sentimentos que sujam o nosso coração como a mágoa, o ódio e a revolta.

Quando pensamos no outro ser humano como alguém que um dia pode falhar, e que também como nós é pecador, temos um murro que protege as nossas emoções e que impede de cairmos na tentação de perdermos a vontade de viver se alguém tiver alguma atitude que seja contrária a aquilo que esperamos dessa pessoa.

Com um pensamento em relação ao homem correto, ou seja vendo-o como ser humano e pecador, é mais fácil ter o domínio próprio; por outras palavras é mais fácil ter o autocontrole, e dominar os nossos sentimentos quando estivermos a viver uma desilusão. Por isso o Senhor diz-nos:” Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano da sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto.” Jr 17: 7-8.

O domínio próprio é fruto do Espírito Santo e da obediência a Palavra de Deus. Deus ordena-nos que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos, e a Deus a cima de tudo. Devemos colocar Deus no trono da nossa vida e tê-lo como a nossa única razão de viver. Nós, cristãos devemos ser totalmente dependentes de Deus e do Seu Espírito e por isso, não podemos ser dependentes do homem.

A desilusão é dolorosa para o homem e quando gera mágoa, rancor, ódio, faz com que Ele deixe de obedecer a Deus, que nos ordena que perdoemos as ofensas cometidas pelo nosso próximo, assim como Ele perdoa as nossas faltas. É importante não esquecer que o homem é falho, pecador, e controlarmos as nossas emoções, o nosso coração, quando o próximo nos desilude.