quinta-feira, 29 de março de 2018

Uma vida moralmente estável

Ao longo de toda a infância até a vida adulta fomos nos apercebendo sobre as metas de vida das pessoas a nossa volta. Facilmente notamos que uma das principais metas de todos os que nos rodeiam é ter uma vida financeiramente estável. Apesar da vida financeira ter uma implicação importante na qualidade de vida que as pessoas usufruem existe um outro fator que influencia a nossa vida espiritual, familiar e social e que determina a nossa existência por toda a eternidade. Esse fator é nossa moralidade, ou por outras palavras os nossos princípios de vida.

A Bíblia ensina-nos que devemos firmar-nos nos princípios morais ensinados por Deus por toda a nossa vida e em qualquer situação financeira. Por outras palavras quer haja uma boa vida financeira quer não, a Bíblia ensina-nos a manter a obediência aos princípios morais ensinados por Deus. Esses princípios morais podem ser observados   num dos sermões mais conhecidos de Jesus Cristo chamado Sermão da Montanha.

O primeiro princípio que Jesus nos ensina a obedecer é a dependência a Deus ou a consciência de que nada somos sem Ele. É um sentimento de humildade perante o poder de Deus e de reconhecimento de tudo o que Ele faz por nós. Esse sentimento traduz-se numa dependência de Deus em todas as áreas da vida. O nosso Mestre fala-nos disso no versículo a seguir: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.” Mt 5:3

O segundo princípio é o da sensibilidade pela dor de Deus e das pessoas ao nosso redor. Essa sensibilidade é também, principalmente,  a capacidade de compreender aquilo que ofende a santidade de Deus; ou seja aquilo que representa pecado na nossa vida pessoal e ou na vidas das pessoas a nossa volta. Esta sensibilidade leva a sentir tristeza quando ocorre pecado e a evitar o pecado. Deus através do seu Santo Espírito consola aqueles que se entristecem e arrependem-se dos seus pecados. Vemos isso no versículo a seguir: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” Mt 5:4.

Outro princípio que deve ser seguido ao longo de toda a vida é o princípio da mansidão. Jesus Cristo é aquele que nos convida a aprender com Ele a ser manso de coração. Essa mansidão leva-nos a não nos exaltarmos nas situações de contrariedade e a evitar sermos impulsivos e irritar-nos com os outros. Por outro lado, leva também a submeter-nos a Deus e a não nos rebelar-nos sobretudo quando não pudemos fazer a vontade da nossa carne. O nosso Mestre diz-nos isso a seguir: “Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.” Mt 5:5.

Para que a nossa vida com Deus seja boa e para que possamos crescer espiritualmente é necessário também que haja sempre fome e sede de justiça. A justiça é explanada na Palavra de Deus e praticada através da obediência aos ensinamentos morais do nosso Senhor Jesus. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.” Mt 5:6. Tudo o que é justo e correto está de acordo com a Palavra de Deus. A injustiça pelo contrário contraria o amor e misericórdia ensinados por Deus.

Outro princípio que deve fazer parte das nossas vida em qualquer circunstância é a misericórdia. A misericórdia é a capacidade de agir em direção as necessidades das pessoas que estão a sofrer. É também a capacidade de renegar o desejo de vingança e oferecer o perdão. Deus é misericordioso e deseja que sejamos também misericordiosos. O nosso Mestre fala-nos a seguir da necessidade de sermos misericordiosos: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.” Mt 5:7.

Outro princípio que não deve ser descurado é a busca pela santidade. A santidade não se resume apenas no facto de não cometermos pecados visíveis pela sociedade mas também em termos uma atitude mental e pensamentos agradáveis a Deus. Implica também termos um coração limpo do ódio, da inveja, do ressentimento, do orgulho e da soberba. Vemos esse princípio a seguir: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.” Mt 5:8.

Esses princípios são fundamentais para termos uma vida moralmente estável e também para termos um bom relacionamento com Deus. É determinante nos nossos relacionamentos e também para obtermos a vida eterna que é o mais importante da nossa vida. Por isso, o objetivo da nossa vida não deve ser apenas ter uma vida financeira estável mas sobretudo, uma vida moralmente estável para que possamos viver eternamente com Deus.

quinta-feira, 22 de março de 2018

A Páscoa Cristã

A celebração da Páscoa tem origem na festa judaica da Páscoa onde era comemorado a saída e libertação do povo de Israel da escravidão do Egito. Na grande noite da libertação, Deus enviou um anjo que matou a todos os primogénitos que estavam no Egito. Para que os primogénitos judeus não fossem feridos Deus ordenou que aspergissem no umbral da porta o sangue de um cordeiro. Ex 12:11-13.

Este cordeiro era uma simbologia do verdadeiro Cordeiro Pascal que com os seu sangue tiraria os pecados do mundo e impediria fossemos condenados a morte eterna. Por isso, na Páscoa cristã é comemorado a morte e ressurreição de Jesus Cristo, o verdadeiro Cordeiro Pascoal, que comprou com seu sangue a todos os que Nele creem, e fez-nos propriedade santa do Pai Celeste.

A Páscoa é uma festa de grande alegria a porque a ressurreição de Jesus Cristo, garante que o nosso Mestre venceu a morte e o inferno e que da mesma forma como Ele ressuscitou dos mortos nós também ressuscitaremos para a vida eterna. A segunda a epístola aos Coríntios diz-nos isso: “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um porém, na sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.” 1Co 15:20-23.

Nesta comemoração lembramos também do grande amor de Deus Pai que deu o seu Filho por nós. O Espírito Santo diz-nos, através do versículo seguinte que Deus Pai nos amou e por isso deu o seu Filho por nós: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna.”Jo 3:16. Deus deu o seu Filho, Jesus Cristo, para que Ele pagasse o preço dos nossos pecados e para que nós não fossemos condenados a morte eterna, porque nos ama com um amor eterno.

Jesus Cristo nos ama também e se deu voluntariamente como sacrifício em nosso lugar, como nos diz o apóstolo Paulo no versículo seguinte: “graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai,” Gl 1:3-4. O nosso Mestre não foi obrigado a entregar-se por nós; Ele deu-se porque nos ama e quer ver a humanidade salva.

O propósito de Jesus não é apenas dar-nos a salvação da morte eterna mas também desarraigar-nos deste mundo perverso mudando a nossa mentalidade, a nossa forma de agir e também a finalidade da nossa vida. Deus deseja transformar-nos gradualmente a semelhança de Jesus, e formar um reino de pessoas transformadas pelo sangue de Cristo. No versículo seguinte da epístola aos romanos vemos isso: “Porque os que de antemão conheceu também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogénito entre muitos irmãos.” Jo 8:29.

Deus planeou meticulosamente a nossa salvação. E por isso antes de enviar o seu Filho Ele avisou os seus profetas que e o Messias iria pagar o preço dos nossos pecados e dar-nos a salvação. Vemos isso nas palavras dadas por Deus a Isaías: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sofre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado do pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” Is 53:4-6.

A Páscoa é por tudo isso, uma celebração de tudo o que Deus fez por nós através de Jesus Cristo, mas é também uma recordação de tudo o que Jesus sofreu por nós enquanto esteve na Cruz do Calvário. Por outro lado, é uma celebração da salvação que Jesus nos deu e de tudo o que podemos viver como filhos de Deus e servos de Jesus Cristo. Devemos deixar que o Espírito faça arder em nós a alegria da salvação dada por Jesus Cristo no Calvário.

terça-feira, 20 de março de 2018

Jesus é o nosso Sumo Sacerdote

No Antigo Testamento vemos que Deus instituiu um intermediário para a sua relação com o povo de Israel. Este intermediário era o Sumo Sacerdote. Este homem era alguém que representava o povo perante Deus e que oferecia sacrifícios para a expiação dos pecados do povo. Para além disso o sumo sacerdote tinha como função ensinar ao povo a vontade de Deus e dirigir os assuntos do templo. O Sumo Sacerdote era por isso o líder religioso da nação.

Jesus Cristo, o Filho de Deus veio a terra e desempenhou todas as funções que cabiam ao Sumo Sacerdote. Enquanto esteve na terra ele ensinou as pessoas a vontade de Deus para que as pessoas pudessem ter uma vida agradável ao Pai Celeste. Um dos sermões mais conhecidos de Jesus foi aquele que ficou conhecido como o sermão da Montanha.

Neste sermão, Jesus pregou para os seus discípulos e para uma grande multidão e ensinou atitudes fundamentais para um cidadão do Reino de Deus. Neste sermão Jesus ensina-nos, entre outras coisas, que os mandamentos de Deus são mais do que atos exteriores e que Deus valoriza tanto o que vai no nosso coração como as nossas atitudes. Jesus ensina-nos um padrão de comportamento que começa no coração e termina nos nossos atos exteriores.

O exemplo disso, são algumas atitudes interiores como o odiar que são tão condenáveis como o matar. Vemos isso no versículo a seguir: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento. Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento de tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.” Mt 5:21-22.

Sabemos que o Sumo sacerdote oferecia sacrifícios para a expiação do pecado do povo. Mas Jesus como Sumo Sacerdote ofereceu-se a si mesmo como sacrifício pelos nossos pecados. Por ser Santo, Puro e por ser o Filho de Deus, Jesus padeceu em nosso lugar o preço dos nosso pecados. A morte de Jesus Cristo é único sacrifício que cobre as exigência de Deus para que fosse perdoados os pecados da humanidade.

Os versículos a seguir dizem-nos isso. “Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, pelos seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu.” Hb 7:26-27

Depois da sua morte, Jesus Cristo ressuscitou e esteve com os seus discípulos e ascendeu aos céus aos perante os olhos dos seus seguidores. Agora Jesus Cristo está sentado a dextra de Deus e representa-nos perante Deus como nosso Advogado; Ele defende-nos das acusações do nosso inimigo e intercede em nosso favor. “este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” Hb7:24-25

O nosso Mestre é o nosso único Advogado perante o Pai Celeste. Isto porque Jesus Cristo compreende as nossas fraquezas humanas; Ele viveu na terra como homem e foi tentado em todas as coisas mas sem pecado. “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas; à nossa semelhança, mas sem pecado.” Hb 4:14-15.

Jesus Cristo, como Sumo Sacerdote é aquele que dirige os assuntos do templo da Igreja. Cada cristão é o templo do Espírito Santo (1Co 6:19) e Jesus dirige os assuntos relacionados com as nossas vidas, para que as nossas vidas sejam um louvor ao Deus Pai. Para além disso, Jesus Cristo também dirige a vida da própria Igreja. “E pôs todas as coisas debaixo dos seus pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu a igreja,” Ef 1:22. Jesus lidera a Igreja dirigindo as decisões dos líderes da igreja através do seu Santo Espírito.

Como vemos, Jesus Cristo é o nosso perfeito Sumo Sacerdote. Ele é aquele quem nos ensina a vontade do Pai, é também aquele que se deu em sacrifício pelos nossos pecados; Jesus Cristo é o nosso representante perante Deus. Ao mesmo tempo é o nosso único advogado perante o Pai Celeste. O nosso Mestre está mais interessado do que nós, na nossa caminhada rumo ao céu e tudo faz para nos ajudar.

quarta-feira, 14 de março de 2018

O que fazer enquanto se espera a bênção do Senhor


Os cristãos sabem que em Deus podem encontrar resposta para as suas necessidades e por isso quando têm alguma situação em que precisam de ajuda oram a Deus pedindo auxílio. Por vezes as pessoas tornam-se mais fervorosas na fé e jejuam mais e vão mais a igreja enquanto esperam a bênção do Senhor.

Contudo, a Palavra de Deus mostra outras atitudes que devemos ter enquanto aguardamos as bênçãos do Senhor. Essas atitudes estão relacionadas com os mandamentos que o Senhor deu ao seu povo para que o seu comportamento fosse agradável a Deus. Temos alguns dos mandamentos dados por Deus a seguir: “Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do seu próximo.” Ex 20:13-17.

Essas atitudes se praticadas agradam o coração de Deus; mostram que a pessoa está a esperando em Deus, e que crê que Deus é um Deus bom que deseja o bem para os seus filhos. Na altura em que o povo de Judá estavam a ser ameaçados por outros povos Deus avisou-os através de Isaías que deveriam praticar a justiça porque Deus estava prestes a chegar a eles com a sua salvação.

Nos versículos seguintes vemos a seguir: “Assim diz o Senhor: Mantende o juízo e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça a manifestar-se. Bem-aventurado o homem que fizer isso, e o filho do homem que lançar mão disso, que se guarda de profanar o sábado e guarda a sua mão de perpetrar algum mal.” Is 56:1-2. Vemos então que Deus requer também, daqueles que esperam pela a sua bênção temor ao seu Nome e que pratiquem coisas boas em favor do próximo.

A prática apenas de jejum, a oração e a leitura da Palavra não é suficiente para Deus. É preciso que se deixe de lado a impiedade, tanto em palavras como em atitudes. Para além de não se dever praticar o mal é necessário que se pratique o bem como por exemplo, repartir o seu pão com o faminto, dar abrigo aos desterrados, dar de vestir aquele que está nu e não ser indiferente com o sofrimento dos outros.

Nos versículos a seguir vemos as palavras de Deus face ao espanto daqueles que jejuavam mas não obtinham de Deus a resposta. “Seria este o jejum que escolheria: e que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco grosseiro e cinza? Chamarias tu a isso jejum e dia aprazível ao Senhor? Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e que despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto e recolhas em casa os pobres desterrados? E vendo o nu, o cubras e não te escondas daquele que é da tua carne?” Is 58:5-7.

Estas atitudes agradam ao coração de Deus, para além das nossas orações e da meditação na Palavra, e aproxima-nos dele. Pois assim, podemos cooperar com Ele nos seu amor e cuidados para com as pessoas. Deus promete que se nos voltarmos para Ele com temor e se praticarmos essas boas atitudes Ele nos ouvirá e responderá as nossas orações: “Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele te dirá: Eis-me aqui; acontecerá isso se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo e o falar vaidade; e, se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia.” Is 58:9-10.

Se nos voltarmos para Deus e sairmos do nosso próprio egoísmo preocupando-nos com o outros, estaremos a obedecer a Jesus que nos ensina que devemos amar a Deus e ao nosso próximo como Ele nos amou. Deus não se agrada da maldade, nem da maledicência nem da cobiça e se afastar-nos dessas coisas estaremos também a aproximar-nos de Deus.

Erraram em todos os seus caminhos

O povo de Israel, geração após geração, começaram a afastar-se de Deus e viveram vidas egoístas centradas nos prazeres que podiam usufruir. Com este afastamento Deus enviou profetas para avisar o povo de que eles estavam a desobedecer aos mandamentos que Deus lhes tinha dado quando saíram do Egito. Apesar de terem-se passado muitos anos desde estes acontecimentos é importante para nós hoje, saber em quê que eles erraram e aprender com os seus erros.

A primeiro erro de Israel está relacionado com o primeiro mandamento que Deus nos deu. “Amarás, pois, o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder.”Dt 6:5. Israel passou a adorar deuses dos povos que estavam em redor da terra de Canaã que ocuparam. Com essa idolatria passaram a praticar coisas abomináveis para Deus.

Por exemplo a adoração de Baal começou desde a morte de Josué e envolvia imoralidade sexual e sacrifícios de ser humanos para obtenção dos favores que necessitavam. A adoração a Baal envolvia portanto prostituição ritualistica em templos onde jovens se ofereciam para todos os que quisessem invocar Baal. A degradação moral trazida com essa idolatria desagradou a Deus.

No versículo seguinte vemos a decadência do povo de Israel: “E deixaram o Senhor, Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e encurvaram-se a eles, e provocaram o Senhor a ira. Porquanto deixaram ao Senhor e serviram a Baal e a Astarote.” Jz 2:12-13.

Em segundo lugar, para além de já não amarem a Deus, o povo de Israel também deixou de amar ao próximo. Eles já não se preocupavam com os mais desfavorecidos, como as viúvas os órfãos e os estrangeiros. Pelo contrário os mais poderosos oprimiam e exploravam os mais pobres. Não havia benignidade entre as pessoas como vemos a seguir: “Ouvi, a palavra do Senhor, vós, filhos de Israel, porque o Senhor tem contenda com os habitantes da terra, porque não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus na terra. Só prevalecem o perjurar, o mentir, e o matar, e o furtar, e o adulterar, e há homicídios sobre homicídios.” Os 4:1-2.

As atitudes citadas atrás violam os seguintes mandamentos: “Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” Ex 20:13-17. Assim eles afastaram-se totalmente da lei de Deus e dos seus princípios.

Em terceiro lugar, para além de desobedecerem a todos os mandamentos que Deus dera a Israel, para que as pessoas amassem e respeitassem ao seu próximo, eles também passaram a amar as suas vidas mais do que tudo a sua volta. Por exemplo o mais ricos, só se preocupavam em enriquecer e gozar as suas riquezas e chegavam até a esmagar os mais pobres para conseguir o que desejavam.

Deus avisou ao povo que condenava a forma como os ricos exploravam os pobres, para conseguirem enriquecer e usufruir os prazeres da vida: “Ouvi esta palavra, vós, vacas de Basã, que oprimis os pobres, que quebrantais os necessitados, que dizeis a seus senhores: Dai cá, bebamos.” Am 4:1. Quando o homem vive para satisfazer os seus desejos e para usufruir prazeres passa a amar apenas a si mesmo e esquece-se de Deus e do seu próximo.

Com o exemplo de Israel aprendemos que devemos fixar a nossa meta de vida em amar a Deus com todas as nossas forças, com toda a nossa alma e com todo o nosso entendimento. Vemos também que Deus desagrada-se quando não amamos o nosso próximo e deixamos de nos preocupar com aqueles que são mais desfavorecidos. Deus também se desagrada quando vivemos apenas para satisfazer os nossos desejos e quando nos amamos mais do que a Deus e ao nosso próximo. Se quisermos estar eternamente com Deus temos de evitar os pecados que Israel praticou.

O início da caminhada de Saul

O rei Saul é muito conhecido na história do povo de Israel por ter sido o primeiro rei de Israel. Deus escolheu-lhe para este cargo e colocou nele o seu Espírito para que pudesse governar a Israel e defender o povo dos povos que os oprimiam como os filisteus e os amalequitas. A Bíblia mostra que na altura em que Saul foi escolhido para ser rei ele possuía virtudes de carácter que devemos buscar também para nós ,como  por exemplo,a humildade.

No primeiro livro de Samuel vemos que Saul demonstrava-se humilde e tinha temor a Deus. Para quem ocupa cargos de liderança cristã a humildade é extremamente importante, para que a pessoa não tente projetar-se acima dos outros nem ver os outros como inferiores a si mesmo. Neste livro de Samuel podemos ver que apesar de Saul ser um homem jovem e bonito, ele não achava-se com mérito para ser rei de Israel.

Vemos isso no versículo seguinte: “Então, respondeu Saul e disse: porventura, não sou benjamita, da menor das tribos de Israel? E a minha família, a menor de todas as famílias da tribo de Benjamim? Por que, pois, me falas com tais palavras? 1Sm 9:21 Saul achava-se um homem humilde, que não merecia grandes honras, porque a sua família era a mais pequena da tribo de Benjamim.

Hoje, com a vastidão dos meios de comunicação, as pessoas tem acesso a histórias verdadeiras e fictícias de grandes homens e mulheres que fizeram grandes feitos e acabam por achar que merecem também um grande lugar de destaque na sociedade; e muitas vezes acabam por achar-se superior aos outros. Essa falta de humildade também afeta muitos cristãos, que acham-se melhores do que os outros, pelas suas capacidades intelectuais ou mesmo pela sua posição em Cristo.

É preciso humildade para caminharmos com Deus, e vermos que nada somos e que, o que temos, tanto as nossas capacidades intelectuais como a salvação que usufruímos é apenas pela Graça de Deus e não porque somos melhores do que os outros. O Espírito Santo aconselha-nos a admitir como Paulo, que somos o que somos pela Graça de Deus: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo.” 1Co 15:10.

Depois de pouco tempo, um ano depois do seu reinado, Saul tornou-se um homem diferente, ele passou a preocupar-se mais com a sua glória e com o seu reconhecimento como rei e preocupar-se menos em obedecer a Deus. Quando os filisteus reuniram-se para lutar contra Israel, todo o povo de Israel temeu pela sua vida e muitos fugiram do exercito de Saul para não lutarem contra os filisteus.

Deus tinha ordenado, através de Samuel, que Saul aguardasse por sete dias a chegada de Samuel para que ele oferecesse sacrifícios a Deus e recebesse a bênção do Senhor. Após os sete dias, Saul impacientou-se e não quis esperar por Samuel e resolveu oferecer sacrifícios a Deus para que o seu exército não se fosse embora. Saul pecou contra Deus, porque apenas o sacerdote poderia oferecer sacrifícios, e porque ele não se preocupou com o que Deus iria achar mas apenas preocupou-se com o seu exército, que ia-se embora.

Esperou Saúl sete dias, segundo o prazo determinado por Samuel; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo se foi espalhando dali. Então, disse Saul: trazei-me aqui o holocausto e ofertas pacíficas. E ofereceu o holocausto. Mal acabara ele de oferecer o holocausto, eis que chega Samuel; Saul lhe foi ao encontro, para o saudar. Samuel perguntou: Que fizeste? Respondeu Saul: Vendo que o povo se ia espalhando daqui, e que tu não vinhas nos dias aprazados, e que os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, eu disse comigo: Agora, descerão os filisteus contra mim a Gilgal, e ainda não obtive a benevolência do Senhor; e forçado pelas circunstâncias, ofereci holocaustos.” 1Sm 13:8-12.

Para além de não submeter-se a Deus e de preocupar-se apenas em resolver os problemas que o incomodava, Saul também exaltou-se a si mesmo erguendo uma coluna ou monumento para si, e não para Deus. “Madrugou Samuel para encontrar a Saul pela manhã; e anunciou-se àquele: Já chegou Saul ao Carmelo, e eis que levantou para si um monumento; e dando volta, passou e desceu a Gilgal.” 1Sm 15:12. A partir desde momento Saul demonstrou estar preocupado apenas com a sua glória e não com Deus. Apesar de ter sido ungido para ser rei, Saul afastou-se de Deus.

A humildade deve ser mantida ao longo da vida do cristão mesmo que ele ocupe cargos de liderança cristã e torne-se conhecido. Se o cristão perder a humildade, não vai conseguir submeter-se a Deus e por isso a sua relação com o Pai Celeste vai-se deteriorar. A soberba é inimiga da comunhão com Deus e por isso devemos vigiar o nosso coração para que ela não cresça em nós. O mais importante na vida do cristão não são os cargos ministeriais que ele ocupa mas sim a sua comunhão com Deus. Por isso, devemos procurar a humildade e a mansidão a cada dia.

Libertos do pecado

Os cristãos depois de aceitarem Jesus como Senhor e Salvador das suas vidas, são aceites no reino de Deus; e Deus passa a fazer morada neles através do seu Santo Espírito. Portanto, eles passam a ter uma nova vida; podem viver uma vida livre do pecado e sobretudo gozar de uma relação mais íntima com Deus.

O pecado, é algo que aprisiona as pessoas, impede-as de fazer aquilo que elas sabem ser correto. Limita as decisões, traz intranquilidade a alma, e afasta as pessoas de Deus. Como vemos no versículo a seguir, a tendência para o pecado que existe no nosso velho homem, tenta impedir-nos de cumprir os mandamentos de Deus: “Ora se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. Deste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.” Rm 7:17-18.

O pecado impede o amor entre o homem e Deus e também entre o homem e os seus semelhantes. Sabemos que a inclinação do velho homem que habita em cada um de nós é para as coisas da carne ou seja para o pecado. Jesus Cristo, veio ao mundo para nos libertar do pecado e da influência do maligno e da carne sobre as nossas vidas. O nosso Senhor Jesus é aquele que liberta os cativos e algemados pelo pecado e lhes dá uma nova vida.

O papel de libertador do nosso Senhor Jesus é referido em Isaías: “O Espírito de Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados;” Is 61: 1. O nosso Senhor Jesus é o único que pode libertar as pessoas dos pecados e lhes trazer para perto de Deus Pai.

Através de Jesus e do seu sangue derramado na cruz do Calvário, Deus concede-nos libertação da condenação da morte eterna, e poder para vencermos Satanás e as suas influências. Apenas precisamos de crer em Jesus para ter acesso as bênção que a cruz de Calvário nos concede. “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.” Jo 3:36.

Deus através do Espírito Santo capacita aos crentes a resistir ao pecado e a obedecer a Palavra de Deus. Esta capacitação tem um requisito: temos de voluntariamente desejar a orientação do Espírito Santo andando no Espírito ou seja, escolhendo as coisas que sabemos ser a vontade de Deus. Ao fazermos isso, damos espaço ao Espírito Santo para governar os nossos passos e sermos controlados por Ele.

Em Gálatas, o Espírito Santo diz-nos que devemos andar no Espírito e rejeitar as coisas da carne, porque as coisas da carne são pecado para Deus. Vemos isso a seguir: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. “ Gl 5:16-17.

As obras da carne, são portanto, contrárias a vontade do Espírito Santo e por isso devem ser rejeitadas por aqueles que querem agradar a Deus. Em Gálatas vemos alguns exemplos de obras da carne: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, fações, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.” Gl 5:19-21

A cada dia, precisamos de aniquilar o nosso velho homem, pois Deus deseja que o façamos e nos capacita a isso. A nossa carne, deve morrer a cada dia, da mesma forma como Jesus foi morto na Cruz do Calvário. Isto para que não sejamos mais escravos do pecado. “sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos;” Rm 6:6.

Quando aniquilamos a carne, e damos ouvidos a voz do Espírito Santo conseguimos obedecer os mandamentos de Deus e viver em paz e alegria com Deus e com o nosso próximo. A prática do amor de Deus resumem-se em dois mandamentos principais que podemos ver a seguir: “ Respondeu-lhes Jesus: amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Mt 22: 37-39.

Por isso quando usufruímos da liberdade que Deus nos dá, andando no Espírito e deixando-nos ser controlados por Ele, podemos obedecer aos seus mandamentos amando a Deus acima de todas as coisas e amando ao nosso próximo como Jesus nos amou. A escravidão do pecado é algo da qual Jesus deseja nos libertar. Devemos desejar também essa libertação e cooperar com Jesus e com o Espírito para que possamos viver em plena liberdade.