sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Obstáculos a fé

A fé é a resposta do homem a revelação de Deus e manifesta-se na confiança em Deus, nas suas promessas e no seu poder. Essa resposta a Deus deve aumentar a medida que vamos caminhando com Deus, mas existem algumas coisas de devem ser observadas e outras evitadas para que a fé cresça.

O nosso Senhor Jesus ao ministrar na terra encontrou várias pessoas com muita fé Nele e que vinham pedir socorro para as suas necessidades. A fé dessas pessoas agradava ao coração de Jesus e o milagre que essas pessoas buscavam acontecia. Por exemplo uma mulher cananeia veio procurar a Jesus porque tinha uma filha endemoninhada.


Jesus ao ouvi-la a pedir socorro respondeu-lhe que tinha vindo para as pessoas da casa de Israel; mas a resposta dela foi surpreendente como vemos a seguir: “Então, ele respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lança-los aos cachorrinhos. Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Então, lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, a sua filha ficou sã.” Mt 15:26-28.

A fé em Jesus Cristo mostra-se ao aproximar-nos Dele com perseverança para buscar algum favor mas mostra-se também na perseverante obediência aos seus mandamentos. A obediência é uma demonstração de fé que mostra que amamos ao Senhor Jesus e isso agrada ao coração do Pai e também ao coração do Filho. “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.” Jo 14:21.

Contudo, porque estamos numa sociedade que não segue os mandamentos do nosso Senhor Jesus, podemos ser influenciados negativamente na nossa fé. Existem, assim, muitas ideias a nossa volta que podem ser um obstáculo para a nossa caminhada de o fé com Senhor Jesus. Uma dessa ideias é o materialismo. O materialismo defende que a realização das pessoas é alcançada através da aquisição de bem materiais.

Com isso as pessoas vão a procura de bens materiais diversos para satisfazerem a sua alma e para terem o reconhecimento das pessoas. O nosso Deus ensina-nos que o amor ao dinheiro e aos bens materiais que se adquire com ele, é uma forma de idolatria, e que a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro: “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores.” 1Tm 6:9-10.

Outra ideia que é muito propagada nas grande cidades é o individualismo. As pessoas vivem para si mesmas e tentam resolver as suas necessidades não se importando com as necessidades dos outros a volta. O individualismo vai contra os ensinos do nosso Mestre porque faz o homem preocupar-se apenas consigo e não com Deus e com as pessoas que estão a sua volta.

A Bíblia ensina-nos que Deus quando nos salvou tinha como objetivo que deixássemos de viver para nós mesmos, de forma egoísta, e passássemos a viver para Deus e para cumprir a sua vontade para com Ele e com o nosso próximo. “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” 2Co 5:15.

Para além disso temos o secularismo que está bem presente na nossa sociedade. Com o secularismo há uma separação entre a igreja e o estado e as decisões são tomadas com base naquilo que parecer melhor no momento e não de acordo com as Sagradas Escrituras. Apesar, de o estado assim, ter maior independência na tomada das decisões no governo, adquire-se, com isso, a falsa ideia que a sociedade pode viver sem Deus.

Deus nos ensina que devemos incluí-Lo em todas as áreas da nossa vida, através da obediência a sua Palavra e escutando a direção do Espírito Santo em cada assunto. Sem Deus a sociedade não pode funcionar corretamente e por isso devemos através da oração pedir a Deus que oriente as decisões dos governantes e de todos aqueles que estão em eminencia.

Cada um dos obstáculos á fé devem ser removidos da nossa mente para que possamos caminhar com Jesus a cada dia e dar espaço ao Espírito Santo para que Ele direcione a nossa vida. O nosso foco deve ser o nosso Senhor Jesus e a sua conduta e não a forma de viver daqueles que são famosos aqui na terra. Devemos por isso analisar o nosso coração e pedir a ajuda do Espírito Santo para deixarmos de lado tudo o que desagrada a Deus.

Servir a Deus

O homem tem uma necessidade de Deus, de contactar com o seu Criador e essa necessidade não pode ser substituída por nada. Reconhecer a Deus em todos os caminhos da vida e andar segundo os seus mandamentos é chamado na Bíblia de servir a Deus. Depois de aceitarmos o sacrifício de Jesus Cristo por nós somos convidados a servir a Deus todos os dias da nossa vida, até que Jesus venha ou nos chame para junto de si.

Para servir a Deus dedicando toda a nossa vida aos seus propósitos é necessário que o homem deixe o seu egoísmo intrínseco e passe a preocupar-se com os interesses de Deus e das pessoas que estão a sua volta. Como nos diz o apóstolo Paulo devemos servir a Deus buscando agradar ao próximo naquilo que é bom para a edificação, da mesma forma como Jesus Cristo. “Portanto, cada um de nós agrade o próximo naquilo que é bom para a edificação. Porque também Cristo não se agradou a si mesmo; antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam caíram sobre mim.” Rm 15:2-3.

Sabemos que o homem tem a tendência para procurar os aplausos das pessoas que estão a sua volta; mas, para servir a Deus não podemos procurar a glória dos homens. Deus aconselha-nos a fazer morrer a nossa tendência carnal de andar na soberba e a sermos humildes considerando os outros superiores a nós mesmos. “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.” Fp 2:3

Em situações difíceis onde os nossos interesses são colocados em causa devemos a mesma buscar agradar a Deus e não os homens; mesmo que esteja em jogo a nossa vida. “Porventura, procuro eu, agora o favor dos homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo.” Gl 2:10

Deus tem nos mostrado o seu poder e a sua santidade e é a Ele que devemos temer e não aos homens. Deus é o único que tem poder sobre a vida e sobre o destino eterno da nossa alma. Devemos seguir, portanto o conselho que o Espírito Santo nos dá no versículo seguinte: “Andareis após o Senhor, vosso Deus, e a ele temereis; guardareis os seus mandamentos, ouvireis a sua voz, a ele servireis e a ele vos achegareis” Dt 13:4

A nossa motivação para o serviço deve ser o amor a Deus e ao próximo. O amor traduz-se em atitudes concretas em favor do próximo e na nossa relação com Deus. Por exemplo o amor faz-nos ser benignos, a não sermos soberbos, a não buscar apenas os nossos interesses, nem sermos invejosos. “O, amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;” 1Co 13:4-5.

Para além de servirmos a Deus devemos ter o nosso coração totalmente consagrado a Deus; por outras palavras o nosso coração não pode estar dividido entre as coisas de Deus e as coisas da carne e do mundo. Por isso o nosso Senhor Jesus diz-nos que não podemos servir a dois Senhores porque ou vamos dedicar-nos a Deus e deixar de lado a carne e o mundo ou vice versa.

Como vemos a seguir não é possível servir aos dois ao mesmo tempo. “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas.” Mt 6:24.

Quando nos dedicamos a servir a Deus de todo o nosso coração obedecendo aos seus mandamentos estamos também a amar a Deus como ele nos ensina que devemos fazer. As nossas vidas apenas têm sentido servindo a Deus ou por outras palavras, quando nos colocamos nas mãos de Deus para que Ele nos utilize como instrumentos para abençoar outras vidas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

O próprio exemplo

Josué foi o líder que Deus escolheu para substituir a Moisés quando este último morreu. O critério da escolha foi o coração obediente e fiel de Josué. Mesmos nos piores momentos da história de Moisés, quando o povo se revoltava contra Moisés, Josué nunca desistiu do  plano dado por Deus de conquistar a terra de Cannaã.

No versículo a seguir vemos a reação de Josué quando o povo de Israel se revoltou contra Moisés por causa da descrição dos espias sobre os habitantes da terra de Canaã. “E Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, dentre os que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes e falaram a toda congregação dos filhos de Israel dizendo: A terra pelo meio do qual passamos a espiar é terra muitíssimo boa. Se o Senhor se agradar de nós, então, nos fará entrar nessa terra e no-la dará, terra que mana leite e mel.” Nm 14:6-8.

José acreditava que, o que faria o povo de Israel conquistar a terra de Canaã era obediência a Deus e se o povo mostrasse um coração rebelde isso desagradaria a Deus. Josué acreditava que não deveriam preocuparem-se com a força dos ocupantes da terra de Canaã porque Deus iria capacita-los a derrotar os cananeus. “Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor e não temais o povo dessa terra, porquanto, como pão, os podemos devorar; retirou-se deles o seu amparo; o Senhor é connosco; não os temais.” Nm 14:9.

Ao longo da vida de Josué ele sempre teve fé em Deus e trabalha ativamente para ver realizado o plano da conquista da terra de Canaã. Por exemplo, quando houve a necessidade de lutarem contra os amalequitas Jousé liderou a batalha levando homens escolhidos por si para Refidim. “Com isso, ordenou Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã estarei eu no cimo do outeiro, e o bordão de Deus estará nas minha mão.” Nm 17:9

Enquanto Moisés intercedia pelo povo,  Josué cumpria a parte prática do plano de Deus lutando contra os amalequitas. Assim, Josué foi colaborando ativamente com Moisés para o cumprimento do plano de Deus. Era possível isso porque Josué tinha o seu coração voltado para o Senhor e depositava a sua confiança no amor de Deus.

Quando Moisés sentiu que estava próximo a sua partida nomeou a Josué como seu sucessor, perante toda o povo isrealita como vemos a seguir: "Chamou Moisés a Josué e lhe disse na presença de todo o povo, entrarás na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a teus pais; e tu os farás herdá-la. O Senhor é quem vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te desamparará; não temas, nem te atemorizes.” Dt 31:7-8.

Depois da morte de Moisés, Deus voltou a falar com Josué e a recomenda-lo que fosse forte e que obedecesse fielmente toda a lei que Deus havia dado a Moisés, não se desviando dela nem para a direita nem para a esquerda, como vemos a seguir: “Tão somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés de te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem sucedido por onde quer que andares. Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem sucedido.” Js 1:7-8

Vemos na Bíblia que Josué sempre foi bem sucedido em tudo o que fez e conseguiu conduzir o povo de Israel para a terra prometida. Esse sucesso mostra que Josué obedeceu a Deus, seguindo os mandamentos a risca bem como todas as orientações que Deus lhe dava para a conquista das cidades.

Depois da conquistas das várias cidades de Canaã, quando já era de idade avançada, Josué exortou ao povo a servir a Deus com integridade e com fidelidade. Ele tinha demonstrado com o seu exemplo como é servir a Deus com fidelidade. Depois de relembrar que Deus é poderoso e Santo, Josué referiu que deveriam escolher entre os ídolos e Deus e que independentemente da decisão do povo, ele e a sua família iriam servir a Deus como já tinham feito ao longo da sua vida.

Vemos com a vida de Josué que o sucesso de um projeto dado por Deus depende da nossa obediência fiel aos mandamentos e as ordens dadas por Deus. Sem meditação diária da Palavra e sem temor ao nome do Senhor Deus não é possível alcançar os planos dados por Deus a nossa vida.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Esvaziamento de nós mesmos

Temos visto no nosso dia a dia que para que alguma coisa possa ser cheia ela precisa primeiramente de estar vazia. Isto é verificado em todas as situações da vida inclusive na vida espiritual. Quando um cristão pede a Deus que o encha do seu Espírito Santo é necessário que o cristão entenda que para que Deus o encha é necessário que ele fique vazio de si mesmo, da sua autossuficiência, do seu eu.

Deus mostrou que pode encher um cristão com o seu Espírito Santo num segundo, como fez no dia de Pentecostes. “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. (…) Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras língua, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” At 2: 1-2,4.

Mas para que Deus esvazie um cristão de si mesmo pode levar um longo tempo, e pode ser necessário um longo processo com vários acontecimentos que causam maior dependência de Deus e ao mesmo tempo uma maior consciência de que sem Deus nada pode-se fazer. Na Bíblia temos o exemplo de Pedro que achava que por si mesmo teria forças para resistir qualquer pressão sem negar a Jesus.

Deus mostrou a Pedro que para que ele fosse fiel a Jesus necessitava do poder do Espírito Santo. Em si mesmo Pedro não tinha como resistir a tentação de negar a Jesus como ficou provado no dia em que negou a Jesus três vezes. Vemos a seguir o que Pedro disse em relação a sua fidelidade ao Mestre: "Eu porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu pois quando te converteres, fortalece aos teus irmãos. Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte." Lc 22:32-33.

Contudo, depois do nosso Senhor Jesus ser preso Pedro ficou tão temeroso que até negou conhecer ao Senhor Jesus quando foi identificado como seguidor do Mestre por pessoas simples, que não representavam o Sinédrio. Vemos isso nos versículos seguintes: "Entrementes, uma criada, vendo-o assentado perto do fogo, fitando-o disse: Este também estava com ele. Mas Pedro negava, dizendo: Mulher, não o conheço. Pouco depois, vendo-o outro disse: também tu és dos tais. Pedro porém protestava: Homem, não sou. E, tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava dizendo: Também este, verdadeiramente, estava com ele, porque também é galileu. Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar cantou o galo." Lc 22:56-60.

Depois no Pentecostes, Pedro cheio do Espírito Santo não hesitou em continuar a pregar o nome de Jesus mesmo estando sob ameaças dos sacerdotes da época. Podemos ver a resposta de Pedro às palavras do Sinédrio nos versículos a seguir: “Trouxeram-nos, apresentando-os ao Sinédrio. E o sumo sacerdote interrogou-os, dizendo: Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina; e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem. Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens.” At 5:27-29

Deus esvazia-nos de nós mesmos tirando a nossa presunção e fazendo-nos colocar a nossa confiança apenas em Deus e não em nós mesmos. Neste processo, de maior dependência a Deus somos obrigados a aproximar-nos mais de Deus. Aproximação de Deus é algo que exige progressivamente que deixemos cada vez mais coisas para trás, e que façamos as coisas da maneira de Deus e não à maneira da nossa carne.

O apóstolo Tiago aconselha-nos a tirar a duplicidades dos nossos corações e a purificar-nos enquanto nos aproximamos de Deus. “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e, vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração.” Tg 4:8.

Quanto mais nos esvaziar-nos de nós mesmos mais espaço deixaremos para o Espírito Santo na nossa vida; e  mais permitiremos que Deus controle a nossa vida. Deus não se agrada da duplicidade e por isso quanto mais desejarmos aproximar-nos de Deus mais coisas da carne teremos de deixar para agradá-Lo e para termos comunhão com Deus.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Perdoar quantas vezes


O homem enquanto relaciona-se com outras pessoas muitas vezes é confrontado com situações que podem magoa-lo e tornarem-se um motivo para que os relacionamentos em causa sejam cortados. Contudo, o nosso Senhor Jesus tem uma perspetiva totalmente contrária ao que nossa natureza humana é capaz de imaginar.

Certo discípulo chamado Pedro, numa ocasião perguntou ao nosso Mestre quantas vezes deveríamos perdoar ao nosso irmão. Tendo ouvido as mensagens do nosso Senhor Jesus Pedro tentou arriscar uma resposta a sua própria pergunta, perguntando se seriam sete vezes. Mas o nosso Senhor deu-lhe como resposta um número muito superior: até setenta vezes sete.

Podemos ver isso nos versículos a seguir: “Então, Pedro, aproximou-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo até que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” Mt 18:21-22. Nós humanos temos a tendência de colocar um limite de vezes em que podemos perdoar a alguém com quem convivemos. Mas o nosso Mestre ensina-nos que devemos perdoar quantas vezes forem necessárias, mesmo que o número de vezes já seja grande.

Deus quando nos aceitou no seu Reino perdoou os nosso pecados, e continua perdoando-nos a cada dia. Ao longo da nossa vida já perdemos conta das vezes que pedimos a Deus perdão e quantas vezes Deus já nos perdoou. Se quisermos mostrar gratidão a Deus pelo perdão que Ele nos concede, a cada dia, devemos também perdoar as ofensas cometidas contra nós.

Para falar-nos da importância de perdoar-nos para manter-nos boas relações com o nosso Senhor Deus, o Mestre conta-nos a seguinte parábola: “Por isso, o reino dos céus é semelhante a um rei que resolveu ajustar contas com os seus servos. (...) Então, o servo, prostrando-se reverente, regou: Sê paciente comigo, e tudo te pagarei. E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida. (…) Então, o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como eu também me compadeci de ti?” Mt 18:23,26-27, 32-33.

Este servo depois de suplicar o perdão da sua dívida ao seu senhor, obrigou ao seu conservo que lhe pagasse tudo o que lhe devia colocando-o na prisão. Aquilo que o servo deveria fazer era perdoar o montante que o conservo lhe devia da mesma forma como o seu senhor lhe tinha perdoado a dívida. Deus espera isso também de nós, que ofereçamos o perdão aos outros da mesma forma como recebemos de Deus o perdão de todas as ofensas que cometemos contra Ele.

Quando não perdoamos Deus indigna-se connosco e chama-nos atenção através do seu Espírito Santo. Se não ouvirmos a sua voz a nossa comunhão com Deus Pai fica afetada negativamente. O nosso Mestre chama-nos atenção que Deus deseja que perdoemos no nosso íntimo aqueles que pecaram contra nós. Vemos isso no versículo seguinte: “Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoares cada um a seu irmão." Mt 18:35

Nós, por sermos pecadores não tínhamos forma de pagar o preço dos nossos pecados e por isso Deus providenciou um substituto para que pagasse por nós o preço dos nossos pecados. O seu Filho Jesus Cristo sendo Santo morreu na cruz do Calvário por nossa causa. Por isso, não podemos limitar o perdão que damos ao nosso próximo nem colocar limites de situações nas quais oferecemos o perdão. Devemos perdoar porque Deus já nos ofereceu o perdão de todos os nossos pecados.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

O objetivo da vida cristã

Por vezes, homens e mulheres cristãos veem-se em situações onde não sabem como reagir. Nessas situações surgem muitas hipóteses de ação, algumas mais bíblicas, outras mais carnais. Mas a única ação aceite por Deus é aquele em que assumimos quem somos e qual é o propósito de Deus para as nossas vidas.



Deus Pai tem uma relação com os cristãos na qual Ele é ao mesmo tempo o Senhor das nossas vidas e ao mesmo tempo é o nosso Pai Celeste. Como nosso Senhor Deus exige de nós que façamos o que Ele nos ordena em prol dos seus negócios na terra. Como Pai, Deus deseja que tenhamos o mesmo coração que Ele e que nos comportemos, mostrando um coração semelhante ao Dele, ou seja, um coração cheio de amor pelo homem.



Como servos de Deus, assumimos que o Senhor Jesus comprou a nossa vida e que passamos a ser Dele para dedicar a nossa vida a vontade de Deus e não a nossa vontade. Com isto a nossa obrigação na terra é fazer a vontade de Deus e imitar a forma como Jesus viveu na terra como servo. “Então, Jesus, chamando-os disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que maiores exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Mt 20:25-28.



Por outras Palavras devemos dedicar a servir à Deus, servindo aos outros que fazem parte da Igreja de Cristo e também aqueles que não fazem parte. Esse serviço deve ser feito com amor, e com humildade pois o Mestre ensinou-nos servir imitando o seu coração que era manso e humilde. O apóstolo Paulo recomendou a Timóteo algumas qualidades que deveriam acompanhar o seu serviço a Igreja. “Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente,” 2Tm 2:24.



As qualidade que o apóstolo Paulo recomenda a Timóteo são aquelas que deveriam nortear o seu comportamento com as outras pessoas. Sabemos que existem situações em que as opiniões podem divergir, e outras em que podemos sentir-nos injustiçados e donos da razão. Mas o Espírito Santo recomenda-nos através do apóstolo Paulo a não vivermos a contender, mas a sermos brandos, amáveis com todos e também pacientes. Esta última qualidade, a paciência, leva a que suportemos os defeitos dos outros e as circunstâncias difíceis com paciência.



Estas características também refletem o caráter do coração do nosso Mestre que era manso de humilde; e Ele que nos convida a aprender a ser como Ele. O nosso Mestre, com o seu carácter e com o seu Poder constituiu a expressão exata do ser do Pai Celeste, como nos diz os versículos seguintes: “nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as cosas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas,” Hb 1:2-3.



Como filhos de Deus, devemos refletir o amor de Deus pelos homens, amando aqueles que estão a nossa volta. Isso significa que, da mesma forma como Deus nos ama e mostra isso de formas concretas devemos também viver para abençoar e amar o nosso próximo. Deus recomendou isso, ao nossa patriarca da fé Abraão, como vemos a seguir: "de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção bênção!" Gn 12:2



Tudo o que fuja da ação de abençoar e amar aqueles que estão a nossa volta foge da vontade de Deus para a nossa vida. Deus planeou-nos para que nos assemelhe-mos ao seu Filho Jesus vivendo como servos e ao mesmo tempo deseja que a sua natureza de amor e santidade seja implantada em nós e transmitida a todos aqueles que estão a nossa volta.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Guardando o coração da rebeldia


Algumas coisas que acontecem no nosso dia a dia podem magoar o nosso coração e fazer-nos duvidar da graça e do amor de Deus. Quando instalamos esta dúvida no nosso coração passamos a ter menos vontade de obedecer a Deus, pois achamos que Deus não se importa connosco e por isso não é digno da nossa obediência. O ato de não obedecermos a Deus torna-nos rebeldes para com o nosso Deus.

A rebeldia é o ato de desobedecermos a Deus propositadamente, com a plena consciência de qual é a forma que Deus deseja que nos comportemos. Esse ato é uma afronta a Deus e uma rejeição da autoridade de Deus. O centro da nossa vida deve ser Deus e quando não o obedecemos, e preferimos seguir os instintos da nossa carne, estamos colocam-nos a nós próprios no centro da nossa vida e dizendo a Deus que achamos que podemos viver de forma independente Dele.

O Espírito Santo mostra-nos que Deus abomina tanto a rebeldia que a compara com pecado da feitiçaria como vemos no versículo a seguir: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.” 1 Sm 15:23.

Quando queremos permanecer agindo de forma contrária a Palavra de Deus, mesmo tempo ouvido uma repreensão do Espírito Santo, estamos nos tornando obstinados. A obstinação faz o homem cego aquilo para aquilo que se passa em seu redor e surdo a voz de Deus. Por isso Deus considera a obstinação como um ato de idolatria, onde nos prostramos perante nós próprios e á nossa vontade ao invés de nos prostrar-nos perante Deus.

A rebeldia e a permanência na rebeldia, conduz o homem a situações de pecado que o acorrentam e que lhe dominam. Viver em rebeldia conduz as trevas espirituais das quais só Deus pode nos livrar. Mas para isso é necessário que o homem clame a Deus por socorro como nos mostra o salmista nos versículos a seguir: “Os que se assentaram nas trevas e nas sombras da morte, presos em aflição e em ferros, por se terem rebelado contra a palavra de Deus e haverem desprezado o conselho do Altíssimo, de modo que lhes abateu com trabalhos o coração – caíram, e não houve quem os socorresse. Então, na angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das sua tribulações. Tirou-os das trevas e das sombras da morte e lhes despedaçou as cadeias.” Sl 107:10-14.

A rebeldia atrasa a vida do cristão, pois afasta-o dos caminhos de Deus e dos propósitos de Deus para a sua vida. Por isso, para que o cristão não tenha tentação em cair em rebeldia deve afastar do seu coração tudo o que possa fazer duvidar do amor de Deus. O cristão deve limpar todas as mágoas que possam querer entrar no seu coração pois a mágoa quando ganha raízes e se instala no coração causa muitos danos nos relacionamentos, sobretudo no relacionamento com Deus.

Deus é amor, e quando ficamos com mágoa de alguém acabamos por não querer o bem a essa pessoa e esses pensamentos de vingança entristecem o coração de Deus e afasta a presença do Espírito Santo na nossa vida. Por isso o Espírito Santo aconselha-nos a ter paz com todos e a não deixar que aja em nós alguma raiz de amargura. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e por meio dela, muitos sejam contaminados;” Hb12: 14-15.

O ato de guardar mágoa em si mesmo é algo que Deus alerta-nos a não fazer, tanto no Antigo como no Novo Testamento. No Antigo Testamento o Pai Celeste transmitiu a Moisés coisas que o povo de Israel não deveria fazer, para o seu próprio bem, e também para ter uma boa relação com Deus. Uma dessas coisas é sobre o dever de não guardar ira contra aqueles que nos são próximos. O versículo fala-nos disso: “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.” Lv 19:18.

O nosso Mestre, o Senhor Jesus ensinou-nos que não havia limites de vezes para perdoarmos o nosso irmão. “Então, Pedro, aproximando-se, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” Mt 18:21-22.

Deus é o Senhor da nossa vida e devemos mostrar que Ele é o nosso Senhor obedecendo a sua vontade, fugindo da obstinação de não perdoar aqueles que pecaram contra nós. Quando perdoamos o pecado no nosso irmão, estamos tendo um coração semelhante ao de Deus, alimentando uma boa relação com o Pai Celeste e permitindo que o Espírito Santo que se aproxime de nós.