sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ajustando-se aos propósitos de Deus

Deus é o nosso Criador, e tem um propósito para as nossas vidas, como a santidade, o louvor a Cristo, o testemunho de Cristo ao próximo, e a vivência do ministério da reconciliação do homem com Deus.

Por esta razão, as nossas atitudes e as nossas decisões devem ajustar-se aos propósitos de Deus. Os nossos planos de vida, e as nossas decisões do dia-a-dia, devem contribuir para a santidade que Deus deseja para as nossas vidas “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” Ef 1:4; devem louvar a Deus (tanto os nossos pensamentos, como atitudes) “ As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” Sl 19:14; devem testemunhar quem Jesus é, e também contribuir para que o nosso próximo se reconcilie com Deus e queira conhece-lo. ”Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação” 2 Co 5:18 “(…) assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, nomeio de vós.” 1Co 14: 25.

Nós como cristãos temos o dever de brilhar, porque nós fomos chamados para brilhar (Mt 5:14) , e por isso devemos ser como um farol para o nosso próximo, uma luz visível a longa distância, através das nossas atitudes:“ para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo.” Fp 2:15.

Para além disso, nós os cristãos somos o templo do Espírito Santo, nosso corpo não é de nós próprios “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que nãos sois de vós mesmos?” 1Co 6:19. Devemos escolher as atitudes que não entristeçam o Espírito Santo, como por exemplo devemos evitar qualquer “palavra torpe”, a cólera, a ira, a gritaria e outras manifestações de ira reprimida “Longe de vós, toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfémias, e bem assim toda a malícia.”Ef 4:31.

Devemos ser cheios do Espírito Santo, e isso implica viver de forma que agrade ao Espírito Santo, evitando pecar contra o Espírito Santo. Nós, para andarmos nos caminhos de Jesus Cristo precisamos de ser guiados e controlados pelo Espírito Santo. A ordenança indicada pelo Apóstolo Paulo, indica-nos pode existir vários e sucessivos enchimentos. “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito Santo,” Ef 5:18.

Para compreender a Sabedoria de Deus, e a Sua vontade precisamos do Espírito Santo, porque o Espírito Santo é o vínculo entre a humanidade e Deus e permite que nós conheçamos a Deus.

Para viver uma vida que agrade ao Espírito Santo, precisamos de renovar a nossa mente e retirar da nossa forma de pensar ideias mundanas que tínhamos antes da nossa conversão. É necessário também, retirarmos da nossa mente enganos que existiam na nossa vida cristã sobre: 1) a natureza e a origem de alguns desejos sexuais que sentimos; 2) a filosofia: “os fins justificam os meios que utilizamos”; 3) o verdadeiro louvor a Deus.



A origem e a natureza de alguns desejos sexuais que sentimos

Começando pelo primeiro engano que pode existir na vida do cristão, a Bíblia mostra que o princípio deve prevalecer sobre a paixão. Os princípios cristãos descritos na Bíblia têm mais importância nas nossas decisões do que a paixão que possamos sentir.

O cristão não pode considerar qualquer desejo sexual pessoal como saudável, natural e dado por Deus. É uma mentira poderosa, a ideia que o desejo sexual pessoal só tem origem em Deus. O nosso Deus não nos dá desejos que não possam ser satisfeitos segundo os seus padrões de santidade, totalidade e pureza.

Todos os cristãos devem considerar a autoridade de Cristo sobre as paixões humanas e então dizer como o nosso Mestre “(…) não se faça a minha vontade, e sim a tua.” Lc 22:42; e submetermos também a nossa vida amorosa a autoridade de Deus.

A pureza sexual deve ser estabelecida, enquanto reconhecemos a autoridade de Jesus Cristo nas nossas paixões e nos submetemos a sua vontade, expressa na Sua Palavra. Isso requer um total compromisso com Deus, que não depende da paixão que sentimos; requer apenas sejamos puros, que reneguemos a nossa carne e sigamos o Mestre (Mt 16:24).

Pureza pressupõe que não temos nenhuma atitude ou pensamento inapropriado ao tipo de compromissivos que temos com Deus “(…)  levando cativo todo o pensamento à obediência de Cristo” 2 Co 10:5.

Pureza sexual é um dos principais meios para proteger o cristão não casado e é também um meio para proteger um casamento de comportamentos que o poluem, corrompem, infetam ou destroem física, emocionalmente ou espiritualmente.

A paixão deve ser dominada pelo princípio e o princípio é o amor: “ O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece; não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” 1Co 13:4-7. Portanto, o amor não é apenas um sentimento erótico, romântico, ou sexual, são atitudes que agradam ao Espírito Santo que habita em nós e louvam a Jesus Cristo.

Não há outro modo de controlar a paixão, e não há outro caminho para a pureza e para a alegria, a não ser a submissão a autoridade de Jesus Cristo na nossa vida e á sua Palavra. O ideal de Deus é que o cristão evite o pecado da imoralidade sexual.

Os cristãos devem usar tanto o seu corpo, como a sua alma e espírito para glorificar a Deus “ Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” 1Co 6:20.



Os fins justificam os meios

Por vezes, existe uma tendência de pensarmos que quando desejamos fazer algo bom, que os meios que usamos para atingir esse fim podem ser de qualquer natureza, mesmo que elícitos. Contudo, a Bíblia não aprova a filosofia “os fins justificam os meios”; o nosso Mestre ensina-nos que os meios utlizados para atingir determinados fins devem seguir os mesmos princípios de justiça, pureza, bondade, e misericórdia, que o fim que desejamos alcançar.

Os meios que utilizamos devem ajustar-se aos propósitos de Deus: da nossa santidade, da nossa pureza (o nosso coração deve ser integro, sem hipocrisia e duplicidade), do testemunhar Jesus com as nossas atitudes (devemos mostrar quem Jesus é sendo como Ele, luz) e do ministério da reconciliação do homem com Deus (devemos contribuir para que o mundo conheça Deus e o ame).

Por isso devemos, como nos aconselha o apóstolo Paulo, rejeitar as coisas que só podem ser feitas em oculto e a astúcia: “ pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos a consciência de todo homens, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.” 2Co 4:2.

A astúcia, a malícia, a manipulação, e outras coisas como estas não agradam a Deus e não devem ser utilizadas como meio para atingir um objetivo mesmo que seja bom, e recomendado pela Palavra de Deus. “Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles.” Ef 5:6.

Deus é justo, e as nossas atitudes têm uma consequência, sobretudo os nossos pecados. Deus revelou-se um Deus de justiça por ter dado o seu Filho amado, Jesus Cristo, como sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Isto porque o salário do pecado é a morte, e nós sendo pecadores merecíamos a morte eterna. Por isso, para pagar a nossa dívida, Jesus morreu em nosso lugar, e pagou Ele mesmo na cruz, o preço dos nossos pecados. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna por meio de Cristo Jesus, nosso Senhor!” Rm 6:23. Assim, a Justiça foi feita pois Jesus cumpriu a lei, morreu por todos nós pecadores, e a dívida que tínhamos foi paga.

Esse gesto de tão grande amor por toda a humanidade mostra a misericórdia de Deus, que superou a ira que os nossos pecados lhe causavam, pois a preocupação de Deus com as nossas vidas levou a planear uma forma de quitar a nossa dívidas e de nos aproximar Dele.

Por isso, nas nossas decisões, devemos ser imitadores de Jesus Cristo, que foi obediente a Deus Pai, e nos meios que utilizarmos para atingir determinados fins mostrar o carácter de Deus “Sede pois imitadores de Deus, como filhos amados;” Ef 5:1.

 

O louvor a Deus

Existe muitas vezes nos cristãos a ideia que o louvor a Deus inclui apenas os hinos que cantamos a Deus nos cultos. Contudo, a Palavra de Deus mostra-nos que o louvar a Deus traduz-se numa modo de viver segundo a Palavra de Deus, em pensamentos e atitudes que agradam a Deus. O coração tem uma grande importância para Deus: aquilo que pensamos e sentimos, são avaliados por Deus e não apenas as nossas ações, por isso o Salmista pede a Deus que as suas palavras e os seus pensamentos possam agrada-Lo: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor rocha minha e redentor meu!” Sl 19:14.

O louvor a Deus pode ser também todo o ato de obediência a Deus, tudo o que é feito com o objetivo de ama-lo e amar ao próximo. Por isso Deus recomenda-nos que no nosso dia-a-dia sejamos misericordiosos com o próximo, que perdoemos as faltas que cometem contra nós, e que sejamos e também misericordiosos para com aqueles que estão mais desfavorecidos, como o estrangeiro, o pobre, a viúva e o órfão, como está escrito no livro de Zacarias: “Assim falara o Senhor dos Exércitos: Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e misericórdia, cada um a seu irmão; não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu próximo” Zc 7:9-10.

A Bíblia mostra por várias vezes que Deus desaprova quando planeamos o mal contra o próximo, seja por que motivo for: por vingança, por inveja ou simplesmente por maldade. “ Não maquines o mal contra o teu próximo, pois habita contigo confiadamente.” Pv 3:29.

Em conclusão, não são apenas os atos que praticamos num culto, como o cantar hinos, dar ofertas e dízimos, mas também tudo o que fazemos e tudo o que pensamos em obediência a Palavra de Deus que louva ao nosso Deus. Por isso, um coração puro, sem hipocrisia, fingimento ou duplicidade, louva a Deus, onde que que estejamos, e alegra o Espírito Santo que está em nós.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Pecados que impedem o crescimento espiritual

Deus chamou-nos para uma vida de santidade e pureza, para convivermos com Ele, que é Santo, para andarmos nos seus caminhos e testemunharmos dele, servindo de canal de bênção para o próximo.

A nossa santidade existe uma separação mental com o mundo, e de tudo o que desagrada a Deus, para que possamos, como o nosso Deus, amarmos ao próximo e servi-lo. Por isso, é fundamental a pureza de coração, a ausência de hipocrisia, e de duplicidade de coração; para que não haja em nós a tendência de praticar obras que desagradam a Deus e prejudiquem o próximo. Para além disso, Deus que habita em nós é Santo, e por isso devemos ser santos também, para que o nosso templo seja do Seu agrado ”Eu sou o Senhor vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo; (…)” Lv 11:44.
 
A pureza de coração permite ao cristão andar em integridade e agradar a Deus, mas exige que ele fuja de toda a aparência do mal de todas as situações dúbias que possam não ser totalmente aprovadas por Deus. A nossa santidade, e a nossa pureza de coração, é um requisito de Deus: “Essa é a vontade de Deus: a vossa santificação (…)” 1Ts 4:3 e é também o propósito da nossa vida, da nossa eleição: “assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; em amor Ef 1:4.

Tudo o que possa alimentar, ódios, ressentimentos nos nossos corações devem ser retirados, e diariamente combatidos, para que possamos ser utilizados pelo Espírito Santo e darmos frutos do Espírito Santo, como o amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança (Gl 5:22).

Sentimentos como inveja devem ser retirados do coração do cristão, pois a inveja precede a maldade, e a maldade prejudica o próximo. Devido a inveja, o cristão pode viver angustiado e planejando o mal contra o próximo. A inveja leva a que um cristão, que mesmo sendo generoso em ofertas e fiel no dízimo, a distanciar-se de Deus e a viver em pecado.

A inveja é um duplo pecado, que origina a maldade no coração, e outros comportamentos condenados pela Bíblia. Como fomos enxertados na Videira, temos de crescer e dar frutos depois de iniciarmos a nossa caminhada cristã. Para crescermos espiritualmente, alguns parasitas da nossa vida, como a inveja, a malícia, o engano, a hipocrisia e a maledicência, têm de ser retirados do nosso coração.

A inveja e os outros sentimentos, são como míldio, o mais temível dos parasitas fúngicos que infeta as folhas da videira e pode arruinar a produção de uvas, os frutos da vinha. Para impedir que a capacidade de produção de energia da planta (a capacidade fotossintética) seja diminuída pelo míldio, é necessário tratar a vinha quando ela apresenta os sintomas de infeção, e depois do tratamento, prevenir uma nova infeção.

Por isso se quisermos crescer espiritualmente como o apóstolo Pedro nos recomenda, devemos despojar-nos de toda a maldade, e dolo, e hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências “Portanto, livrando-vos de toda a malignidade e de todo o engano, hipocrisia, inveja e de toda espécie de maledicência, desejai o puro leite espiritual, como crianças recém-nascidas, a fim de crescerdes, por intermédio desse alimento para a Salvação”1Pe 2:1-2 (Bíblia King James Atualizada).

Depois de retiramos esses parasitas na nossa alma, podemos desejar o leite espiritual, a Palavra de Deus, pois ao bebermos dele, o nosso organismo vai aproveitar melhor os nutrientes, e vamos sentir-nos melhor alimentados, pois não existe mais nada a parasitar o nosso organismo, a retirar a sua força, e a sua capacidade de crescer vai aumentar.

A inveja e outros sentimentos geram atitudes contra o nosso próximo, que vão contra a vontade de Deus e entristece o Espírito Santo. A pureza que Deus requer de nós é tirada, e o nosso coração torna-se menos parecido com o coração de Jesus Cristo.

Como ramos enxertados na videira, temos de crescer espiritualmente e de nos tornarmos mais e mais parecidos com Jesus Cristo no nosso caracter. Jesus Cristo é humilde, longânimo, manso. Enquanto esteve na terra o nosso Mestre foi obediente em tudo ao Pai, e é o nosso exemplo de comportamento.

O nosso crescimento espiritual é também o processo de nos conformarmos a imagem de Jesus Cristo “ Porque os que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogénito entre muitos irmãos.” Rm 8:29. O crescimento do cristão é evidenciado, como as uvas na videira, pelos frutos do espírito na vida do cristão “ Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra essas coisas não há lei Gl 5:22-23).
 
O crescimento espiritual é um processo que deve ocorrer durante toda a vida, conforme estudamos a Palavra de Deus, pomos em prática o que aprendemos através de ações e em pensamentos. Como os pensamentos antecedem as nossas ações e atitudes devemos ter o cuidado de controlar os nossos pensamentos, para que sejam agradáveis a Deus e originem atitudes que ajudem a construir o caracter desejado pelo nosso Mestre. Do nosso coração, como nos diz o nosso Mestre, procedem os pecados:” Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfémia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” Mc 7:21-23.
 
 
O nosso carater deve ser desenvolvido até a imagem de Cristo e para isso é preciso ter em conta que o carater é fruto das ações do dia-a-dia, que fazemos repetidamente até fazerem parte da nossa maneira de viver.
Com a existência da inveja no coração do cristão, ele fica sujeito a ter atitudes contrárias a Deus, que entristecem o Espírito Santo, e que são próprias do diabo, o pai da inveja, que invejou o trono de Deus e foi banido do céu. Por inveja, os cristãos podem perseguir, difamar, odiar, amaldiçoar e até matar.
Como o nosso Deus é amor, devemos caminhar em amor e imitar o nosso Mestre que era manso, humilde, misericordioso, bondoso; por isso não devemos sentir inveja do nosso próximo nem praticar o mal. O nosso Mestre é a Luz do mundo e chamou-nos para sermos luz no meio das trevas.
 
A maldade, indicada trás como um dos parasitas da alma do cristão, afeta o crescimento espiritual e deve ser portanto, afastada da vida do cristão. A maldade consiste em tudo aquilo que é planejado na mente para atingir outras pessoas. A ação, muitas vezes pode ser vestida com uma roupa de bondade, ou de integridade, mas o propósito, a intenção é má. Geralmente, o cristão maldoso é fingido, tem dupla personalidade.
 
A malícia, apesar de ter uma conotação semelhante a da maldade traduz-se numa tendência para julgar, dizer ou agir com maldade. A malícia, é como uma lente, que faz com o homem veja maldade em tudo o que o que vê, ouve ou acontece. A Bíblia recomenda que devemos ser meninos na malícia; nos nossos relacionamentos devemos ser como crianças, sinceros, puros e ingénuos. Devemos confiar nas pessoas e cultivar a confiança nos nossos relacionamentos. Devemos também despojar-nos de todo o acúmulo de malícia que tínhamos antes da conversão. Ao mesmo tempo que o cristão despoja-se destes sentimentos e atitudes, deve revestir-se de Jesus Cristo. “ Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo; e não fiqueis idealizando os desejos da carne” Rm 13:14 (Bíblia King James Atualizada). A malignidade é um sinónimo da palavra maldade e malícia e por isso tem a mesma conotação que as últimas.

A hipocrisia é um outro obstáculo ao crescimento espiritual. O cristão, por situações diversas, acaba por fingir, e exibir atitudes, que apesar de estarem em conformidade com a vontade de Deus, não são sinceras; o cristão toma uma atitude positiva para com o seu próximo, apesar de no seu íntimo sentir o oposto que a ação demonstra, e de pensar ou de ter maus sentimentos pelo próximo.

Por outras palavras, com a hipocrisia o cristão exibe comportamentos religiosos para impressionar as outras pessoas mas no seu interior tem pensamentos impuros e motivações erradas que desagradam a Deus. O perigo da hipocrisia é que o de acabarmos de viver para termos a aprovação dos outros, e de esquecermos que Deus, aquele a quem servimos, vê os nossos corações.

O nosso Mestre comparou os religiosos da sua época, a sepulcros caiados, pois eles serviam Deus com atitudes recomendadas na lei mas no seu coração estavam cheios de maldade, de falta de misericórdia e portanto, longe de Deus “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.” Mt 23:28.

Nós os cristãos devemos além de limparmos exterior, pondo em pratica as atitudes que a Bíblia recomenda, devemos também limpar o nosso interior, os nossos pensamentos e motivações. Para isso devemos obrigar-nos a ter bons pensamentos, em relação ao próximo, e que estejam de acordo com a Palavra de Deus.
A maledicência é um outro obstáculo ao crescimento espiritual. Para além de denegrir o próximo, e por isso prejudica-lo, leva também a que pequemos e que possamos dar falsos testemunhos de alguém, o que é condenado por Deus nos dez mandamentos. A maldade é também uma ato de maldade contra o próximo, em que o cristão fala numa perspetiva negativa sobre uma atitude, um momento da vida do próximo. A opinião do cristão deve estar sempre fundamentada na Palavra de Deus, sempre com boa intenção, e o comentário deve ser construtivo para a vida daquele que o ouve. Devemos ser sal e luz em todas as situações, e as nossas palavras devem ser temperadas com sal para preservarmos a doutrina cristã no meio em que estamos.

Como filhos da luz devemos bendizer o nosso próximo, e não o contrário; devemos inclusive bendizer aqueles que nos maldizem como nos aconselha o nosso Mestre (“bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam.” Lc 6:28. A maledicência é algo estimulado pelo diabo e pode ser usada para destruir relacionamentos, pessoas, etc. Para evitar a maledicência devemos evitar pensar mal do nosso próximo.

Em conclusão, a vontade de Deus para as nossas vidas é o nosso crescimento espiritual, a nossa conformação a imagem de Jesus Cristo. Por isso, Deus usa a sua Palavra para nos exortar a abandonar hábitos que prejudicam, o nosso crescimento espiritual, e também a nossa caminhada com Deus. Tudo o que pode parasitar a nossa vida espiritual, como a inveja, maldade, hipocrisia, e a maledicência devem ser tiradas na nossa vida para que possamos dar frutos em abundância para o nosso Deus.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Semear no Espírito: uma forma de viver com integridade

Apesar de homem ser espiritual, e do seu corpo ser um templo do Espírito Santo, ele tem uma carne, que não está sob o domínio direto de Deus, e portanto, inclinada para o pecado e oposta a Deus. “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si, (…) Gl 5:17. As obras da carne, portanto, não são orientadas pela vontade de Deus e por isso não contribuem para que viva bem com Deus e com o próximo “(…)Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeita a lei de Deus, nem mesmo pode estar ”Rm 8:7.

As obras da carne são enumeradas pelo apóstolo Paulo na epístola aos gálatas “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, fações, invejas, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a essas (…) Gl 5:19-21. “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” Rm 8:8. Grande parte das obras da carne são pecados que ofendem tanto ao nosso próximo, como a nós próprios, como a Deus e degradam o relacionamento que o homem tem com Deus, consigo mesmo, e com o próximo.

O homem para agradar, e ter uma boa comunhão com a Deus, deve renegar a carne, e todas as suas obras, pois as obras da carne não agradam a Deus; são condenadas pela Sua Palavra e pelos seus mandamentos. Pelo contrário, os homens devem, obedecer a Palavra de Deus, ser servos uns dos outros e amar o próximo como a si mesmo “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém, não useis da liberdade para dar ocasião a carne; sede antes, servos uns dos outros, pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás a teu próximo como a ti mesmo” Gl 5:13-14.

A carne e as suas inclinações não devem ter espaço na vida do cristão e nos seus relacionamentos, e não pode influenciar as suas decisões.“ Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus e não confiamos na carne” Fp 3:3.

O crente deve lembrar-se da Palavra de Deus, enquanto vive os seus relacionamentos, e também em cada decisão, e em todas as situações que a sua nossa carne tentar inclinar-lhe para as suas vontades “Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito para vida e paz” Rm 8:6. Se o cristão andar no espírito, e obedecer a vontade de Deus, enquanto vive os seus relacionamentos, agrada a Deus, o Pai Celeste, e glorifica a Jesus Cristo, nosso Salvador.

Jesus Cristo resgatou a Sua igreja, comprou-a com o seu sangue para Deus Pai, e por isso todos os cristãos são seus. Para além do crente ser um servo de Deus, também é um filho por adoção e por isso os cristãos devem as suas vidas a Ele. Por isso, os cristãos devem obedecer a seu Pai Celeste e refletir nos seus relacionamentos o Deus que habita dentro deles “Assim, pois, irmãos, somos devedores, não a carne como se constrangidos a viver segundo a carne” Rm 8:12.

Jesus Cristo, quando morreu na cruz por toda a humanidade, deu-nos a salvação e possibilitou para cada homem a restauração: um novo relacionamento com Deus, como também um novo relacionamento consigo mesmo e com o próximo.

A comunhão do homem com Deus, resulta de um acordo, em que o homem aceita que Deus, o Senhor Jesus, é o único Senhor da sua vida, de todos os seus relacionamentos, bem como de toda humanidade e de todo o Universo. O homem reconhece que foi criado por Deus, a sua imagem e semelhança, e é regido portanto, pelas leis de Deus e pela sua vontade. Para além de o homem aceitar Jesus Cristo como Salvador da sua vida, reconhece que o sacrifício de Jesus é único e suficiente para pagar os seus pecados e permitir-lhe a reconciliação com Deus Pai.

O relacionamento, ou comunhão do homem baseia-se, portanto, num acordo com Deus, seu Pai e Criador, no qual o homem tem o dever de amar a Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e com todas as duas forças (Dt 6:5) e tem de amar ao seu próximo como a si mesmo Uma das formas que o homem tem de amar a Deus, que os seus olhos físicos não conseguem ver, é de amar ao próximo a quem vê.

Quando o homem não é obediente, não cumpre os mandamentos de Deus e a sua vontade, a comunhão, o acordo com Deus e afetado. Essa atitude de desobediência é chamada na Bíblia de rebelião.

A rebelião é portanto, um ato deliberado de desobediência dos homens a Deus, e uma atitude de não confiança na soberania e justiça de Deus. O homem em rebelião, mesmo sabendo da vontade de Deus escolhe fazer o contrário e não se submete a Deus. Essa atitude é um pecado grave para Deus: ”Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar (…)”1Sm 15:23. Um caso de rebelião ocorreu quando Miriã e o seu irmão Arão contestam a liderança de Moisés, a pretexto do casamento dele com uma mulher cuxita (Nm12).

A atitude de rebelião de Miriã e de Arão foi motivada pela inveja que sentiam de Moisés e resultou numa atitude de insubmissão a Deus e da sua autoridade. Por isso, Deus irou-se e Miriã ficou leprosa “A ira do Senhor contra eles se acendeu; e retirou-se. A nuvem afastou-se, de sobre a tenda; e eis que Mirã achou-se leprosa, branca como a neve; e olhou Arão para Miriã, e eis que estava leprosa.” Nm 12:9-10. Miriã e Arão deixaram que um sentimento carnal e pecaminoso, tomasse conta dos seus corações e deixaram de respeitar a autoridade de Deus, que estava sobre Moisés. Assim, a comunhão deles com Deus foi afetada negativamente e Deus ficou irado com eles.

Outro exemplo de rebelião descrito pela Bíblia foi a realizada por Corã, Datã e Abirão ”Corá, filho de Isar, filho de Coate, filho de Levi, tomou consigo a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe, e a Om, filho de Pelete, filhos de Rúben. Levantaram-se perante Moisés com duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, príncipes da congregação, eleitos por ela, varões de renome, e se juntaram contra Moisés e contra Arão e lhe disseram: Basta! Pois que toda a congregação é santa, cada um deles é santo, e o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos exaltais sobre a congregação do Senhor?” Nm 16:1-3.

Contudo, a atitude deles não agradou a Deus e foram engolidos pela terra com tudo o que era deles: ”E aconteceu que, acabando ele de falar todas estas palavras, a terra debaixo deles se fendeu, abriu a sua boca e os tragou com as suas casas, como também todos os homens que pertenciam a Corá e todos os seus bens.” Nm16:31-32.

Um exemplo de uma atitude de obediência e fé em Deus, e contrária a rebelião, foi a atitude de José e Calebe, que mesmo tendo visto a dimensão do desafio que era conquistarem a terra prometida de Canaã, não duvidaram do poder de Deus e não murmuram, nem se rebelaram contra Deus como todo o povo de Israel fez. Por isso Deus, não deixou senão Calebe e Josué entrar na terra prometida.

Todo o restante Israel morreu durante os quarenta anos seguintes, na travessia do deserto. ”Certamente, nenhum dos homens desta maligna geração verá a boa terra que jurei dar a vossos pais, salvo Calebe, filho de Jefoné; ele a verá, e a terra que pisou darei a ale e a seus filhos, porquanto perseverou em seguir ao Senhor. (…) Josué, filho de Num, que está diante de ti, ele alí entrará; anima-o, porque ele fará que Israel a receba por herança”. Dt 1:35-36,38.

Depois de aceitar Jesus como Senhor e Salvador da sua vida, o homem passa a ter uma nova comunhão consigo mesmo, um relacionamento em que aceita que é filho de Deus “nos predestinou para ele, para adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito da sua vontade” Ef 1:5;sabe que foi feito por Deus: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais de antemão preparou para que andássemos neles” Ef 2:10; e que é embaixador de Cristo, seu Senhor “De sorte que somos embaixadores de Cristo (…) 2Co 5:20.

Neste novo relacionamento consigo, o homem tem consciência que é amado por seu Pai Celestial “Mas Deus prova o seu próprio amor para connosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” Rm 5:8; tem consciência que é amado por Jesus Cristo seu Salvador:” Ninguém tem maior amor do que este: de dar a própria vida em favor dos seus amigos” Jo 15:13 “ Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” Jo 10:28; e também tem consciência que é guiada pelo Espírito Santo “(…) a sua unção vos insina a respeito de todas as coisas (…)”1Jo 2:27.

O homem, ao estar reconciliado com o Pai, e por ter consciência de que é amado pelo Pai, por Jesus Cristo, e pelo Espírito Santo, também passa a ter uma comunhão nova com o próximo. Isso porque sente-se livre para amar o seu próximo como o próprio Senhor Jesus exemplificou, e para obedecer as ordens do Pai quanto a forma do relacionamento com o próximo.“(…) Amarás a teu próximo como a ti mesmo(…)” Mc 12:31.

Em conclusão, ao semear no espírito o homem acaba por tornar a comunhão com Deus, consigo próprio e com o próximo mais forte e saudável; com uma forma que, agrada a Deus, permite-lhe dar frutos do espírito e obter uma colheita de integridade e paz “ Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra essas coisas não há lei” Gl 5:22-23. Quando crente semeia na carne não perde o espírito mas perde os frutos. Quanto mais o crente semear no Espírito, enquanto vive os seus relacionamentos (incluindo o relacionamento com Deus), mais a sua integridade cresce; por outras palavras, semear no espírito permite-lhe ter relacionamentos cada vez mais puros, mais próximos do relacionamento do homem tinha com Deus e com o próximo antes da sua queda no jardim do Éden.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A inveja: podridão dos ossos


A inveja é um dos pecados que tem mais efeitos negativos na vida daquele que inveja e na vida dos outros a sua volta, pois ela desencadeia outros pecados como o roubo, o adultério, o homicídio e a difamação.

A inveja é um pouco mais do que o ciúme. Para além de cobiçar a riqueza ou honra que o outro tem, a inveja deseja tirar do outro o que ele tem. A inveja é acompanhada de rancor, amargura; e provoca um sentimento de infelicidade devido a vantagem ou prosperidade do outro. Esse rancor ou amargura provoca pensamentos que por sua vez refletem-se em atitudes que desagradam a Deus.

Foi o que sucedeu com Caim, que depois de oferecer o seu sacrifício a Deus, e vendo que o sacrifício do seu irmão agradara mais ao Senhor do que o dele, mostrou pelo seu semblante a ira que sentira do irmão.”(…) Irou-se, pois sobremaneira, Caim e descaiu-lhe o semblante.” Gn 4:5.

O Senhor Deus, vendo a ira de Caim perguntou-lhe o porquê da sua ira e do seu semblante descaído, e visa-lhe: “ Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz a tua porta; o seu desejo é contra ti, mas a ti cumpre domina-lo.” Gn 4:7.

Apesar de Caim ter sentido inveja e ira contra o irmão, cabia a ale próprio dominar a inveja e a ira, e não tomar atitudes que desagradassem a Deus. Contudo, Caim não dominou nem a sua inveja nem a sua ira, pelo contrário, acabou por cometer mais um pecado matando o irmão.” Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou.” Gn 4: 8.

A inveja é descrita como um dos pecados a não cometer nos dez mandamentos ditados por Deus a Moisés. O nosso Deus, avisou-nos que não deveríamos cobiçar nada do nosso próximo: nem a mulher ou marido do próximo, nem a casa, nem o campo, nem o servo, nem o boi, nem o jumento, nem coisa alguma do nosso próximo. “ Não cobiçarás a mulher do teu próximo. Não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” Dt 5:21

O sentimento de inveja, ou cobiça, pode levar a outros pecados, como o adultério, quando o objeto cobiçado é a mulher ou homem do próximo; ao roubo, quando o objeto cobiçado é um objeto; ao homicídio, devido ao ódio que a pessoa invejada provoca na quele que inveja; e ao falso testemunho, devido a vontade daquele que inveja em difamar o invejado. Esses pecados são indicados por Deus, nos dez mandamentos, como algo que não devemos fazer: “Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” Dt 5: 17-20.

Davi, é um exemplo de um homem que depois de cobiçar a mulher do próximo, adulterou; e depois, devido a complicações resultantes do adultério, acabou por cometer um homicídio, matando o Urias, um comandante do seu exército (2 Sm 11:2-17). Assim, Davi acabou por pecar contra Deus ( Sl 51:4), contra o seu próprio corpo (1Co 6:18), contra Bete-Seba, o seu marido Urias, e contra todos o que estavam a volata dele.

A inveja é também demoníaca; é um sentimento carnal, mas próprio de Satanás, que invejou a Deus e por isso foi expulso do céu (Is 14:12-15).Para além disso, a inveja impede o homem de fazer julgamentos justos; porque a mente fica obscurecida com raciocínios que não agradam a Deus, que têm como objetivo prejudicar o invejado, através da difamação, do roubo ou até do homicídio.

Essa sabedoria, esse processo de discernimento onde escolhas são pesadas e alternativas julgadas, é terrena, animal e demoníaca. “ Se, pelo contrário tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes é terrena, animal e demoníaca.” Tg 3: 14-15.

A inveja é descrita por Salomão em provérbios como “podridão dos ossos.” Pv 14:30. A inveja pode tornar-se podridão para os ossos daquele que inveja quando tira a alegria de viver, devido ao sentimento de infelicidade que traz o bem-estar ou prosperidade do outro. A inveja torna aquele que inveja mais carnal, e faz-lhe caminhar nas trevas, devido ao ódio, rancor e ira que tem pelo próximo.

Em ultima análise, o homem acaba por olhar mais para aquilo que não tem em vez de ser agradecido pelo que tem; ou, acaba por olhar para aquilo que o outro tem, em vez de olhar para aquilo que tem. Esse desvio da atenção das bênçãos da própria vida para as bênçãos alheias, tira a alegria de viver a aquele que inveja e desvia atenção dele de Deus para o objeto invejado.

Por isso, devemos, devemos despojar-nos de toda inveja: “Despojando-vos, portanto, de toda a maldade, e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda a sorte de maledicências” 1Pe2:1 Devemos temer ao Senhor e não cobiçar nada do próximo “ Não tenha o teu coração inveja dos pecadores, antes no temor do Senhor preservarás todo dia.” PV22:17. O apóstolo Paulo aconselha-nos ainda: “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja um dos outros” Gl 5:26.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Perdão: o exercício da misericórdia de Deus


O nosso Mestre, Jesus Cristo é um Deus, misericordioso, capaz de perdoar os pecados de toda a humanidade, de todos que busquem Nele a salvação e capaz de deixar de dar a punição merecida pelos nossos pecados.

Apesar de não merecermos, o Senhor Jesus, devido a sua grande misericórdia, perdoa todas as nossas iniquidades e não se lembra mais delas. ”Ele é quem perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades: Sl 103:3. O nosso Criador, diz-nos “Eu, eu mesmo, sou o que apaga as tuas transgressões por mim e dos teus pecados não mais me lembro.” Is 43:24.

A misericórdia de Deus está a disposição de todos, mas somente através do sacrifício de Jesus Cristo na cruz. Por isso todo o homem deve aceitar Jesus Cristo como Senhor e Salvador para obter perdão dos seus pecados e ficar reconciliado com Deus Pai.

A misericórdia de Deus resulta então no perdão dos nossos pecados e no processo de restauração que efetua nas nossas vidas, limpando-nos de todo o pecado. A nós, Suas criaturas apenas nos cabe louva-lo pela Sua grande, terna e eterna misericórdia, pois todos os crentes estão Salvos através de Cristo: “ (…) temos redenção, pelo seu sangue, a remissão de pecados, segundo a riqueza da sua graça.” Ef 1:7.

Jesus Cristo demonstrou a sua misericórdia, quando escribas e fariseus trouxeram-lhe a Sua presença uma mulher surpreendida em adultério, dizendo-lhe que na Lei de Moisés tais mulheres deveriam ser apedrejadas. O Senhor Jesus, em resposta afirmou: “(…)Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra.” Jo 8:7.

Como cada um dos presentes sentiu-se acusado pela própria consciência, nenhum deles teve coragem de atirar a primeira pedra, e por isso foram-se retirando do local. Jesus vendo que desapareceram os acusadores da mulher, perguntou “(…) Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu também te condeno; vai e não peques mais.” Jo 8:10-11.

A misericórdia de Jesus fez com que Ele perdoasse a mulher adultera e lhe recomendasse que não pecasse mais. Jesus Cristo chama-nos a Ele, para o seu Reino e quer que aprendemos a ser misericordiosos como Ele:” Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas” Mt 11:28-29.

O nosso Mestre ensina-nos a ser misericordiosos, a perdoar a quem nos tenha ofendido, mesmo que repetidas vezes. O Senhor Jesus aconselha-nos também a perdoarmos ao nosso irmão, quando estivermos em oração e desejarmos que Deus nos perdoe alguma coisa. ”E, quando estiverdes orando, se tiverdes alguma coisa contra alguém perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas” Mr 11:25.-26.

Na nossa caminhada com Deus devemos, como nos aconselha o apóstolo Paulo revestir-nos de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade e de longanimidade. ”Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de eternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós.” Cl 3:12-13.

Assim como o Senhor Jesus nos perdoou, devemos também perdoar aqueles que nos ofendem. Como o Senhor nos aconselha na oração do Pai nosso (Lc 11:4). Contundo, se não formos misericordiosos, se não perdoarmos, o nosso Pai celeste também não nos perdoará, e a nossa comunhão com Ele será quebrada: “ Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo.” Tg 2:13.

Para além de exercitarmos a misericórdia, e de perdoarmos o nosso ofensor, devemos também orar por ele, abençoa-lo e não amaldiçoa-lo “(…)amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam.” Lc 6:27-28 “abençoai aos que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis” Rm 12:14.

Consequentemente, não devemos vingar-nos, mas sim perdoar, abençoar aqueles que nos ofendem ou que nos fizeram algum mal. O apóstolo Paulo adverte-nos “ Não torneis a ninguém mal por mal; (…)”Rm 12:17 ; e diz ainda: “(…) não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar a ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor” Rm 12: 19.

A vingança para o crente é um pecado, um caminho das trevas, uma forma de viver na carne, e, portanto, é um caminho a evitar. Quem se vinga deixa-se vencer pelo mal. Devemos pelo contrário vencer o mal com o bem (Rm 12:21).

Davi foi um homem perseguido por Saul, rei de Israel e seu sogro. Saul por inveja da popularidade de Davi, e vendo que o Senhor era com ele, tentou matá-lo por diversas vezes. Contudo, numa tentativa de capturar Davi, Saul acaba por cair nas mãos de Davi, que por temor a Deus, nãos estendeu a mão contra Saul. Em vez disso, confiou que Deus faria justiça. “ (…) Chegou a uns currais de ovelhas no caminho, onde havia uma caverna; entrou nela Saul, a aliviar o ventre. Ora, Davi e os eus homens estavam assentados no interior da mesma (  .) Levantou-se Davi e, furtivamente, cortou a orla do manto de Saul. Sucedeu, porém, que, depois, sentiu Davi bater-lhe o coração, por ter cortado a orla do manto de Saul; e disse aos seus homens: O Senhor me guarde que eu faça tal coisa ao meu senhor, isto é, que eu estenda a mão contra ele, pois é o ungido do Senhor”1Sm24:3-6.

A atitude de Davi, mostrou, além de reverência a Deus, pois Davi não ousou levantar a mão contra o ungido de Deus, mostrou também temor e confiança em Deus, pois creu que Deus faria justiça e que não precisava de praticar o mal, de praticar justiça com as próprias mãos, e sim deixar Saul ir em paz. “ Julgue o Senhor entre mim e ti, vingue-me o Senhor a teu respeito; porém a minha mão não será contra ti” 1Sm 24:12.

Davi, por ter agido com misericórdia com Saul, permitiu que Deus agisse também com misericórdia ao longo da sua vida e que cumprisse a Sua promessa de torna-lo rei de Israel. Saul ao ver a misericórdia com que Davi o tratou exclamou “ Porque quem há que, encontrando o inimigo, o deixa ir por bom caminho? O Senhor, pois, te pague com bem, pelo que, hoje, me fizeste. Agora, pois, tenho a certeza de que serás rei e de que o reino de Israel há de ser firme na tua mão” 1 Sm 24: 19-20.

Para além sermos misericordiosos com ou outros, devemos ser misericordiosos connosco mesmos; devemos ;nos perdoar das faltas que cometemos já que somos finitos e o nosso aperfeiçoamento é feito gradualmente “ Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para que as adiante de mim estão prossigo para o alvo, para o prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” Fp 3:12-13.

Em conclusão, oferecer perdão, alegra o coração de Deus, desenvolve caracter e traz a bênção de Deus para nós e para os outros.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Carne: as suas várias facetas


A carne é descrita na Bíblia muitas vezes relacionada com uma forma de vida motivada pelos impulsos, orientada para a satisfação das vontades próprias, sem qualquer sujeição a vontade de Deus; em plena autonomia em relação a Deus e a orientação pelo Espírito Santo.

A carne ao longo das escrituras é traduzida por: incredulidade, ansiedade, religiosidade, trevas, soberba, orgulho, astúcia, vaidade da mente, necedade (de néscio), murmuração e concupiscências. Ao longo destas páginas irei descrever cada aspeto relacionado com a carne.

 

Incredulidade
A incredulidade é um impedimento para a ação de Jesus Cristo na vida no crente. O Senhor Jesus para responder aos nossos pedidos e orações, necessita de ver em nós fé. A incredulidade é o oposto da fé, e sem fé é impossível agradar a Deus.

Um dos principais de uma sinagoga, Jairo, depois de adorar a Jesus Cristo, clamou que O Mestre curasse a sua filha que estava a beira da morte. Jesus Cristo, foi com ele para salvar a menina da morte. Entretanto, chegaram os servos de Jairo comunicando-lhe que a sua filha já estava morta. Nesse instante, Jesus Cristo, afasta todo o pensamento de desespero da mente de Jairo e aconselha-o :“(…) Não temas, crê somente, e ela será salva.” Lc 8:50. A chegada do local onde habitava Jairo ”todos choravam e pranteavam. Mas Ele disse: Não choreis; ela não está morta, mas dorme ”Lc 8:52. Contudo a reação das pessoas presentes não foi de fé, mas sim de incredulidade: ”E riam-se dele, porque sabiam que ela estava morta” Lc 8:53.

Para curar a menina, Jesus ordenou que saíssem todos, expeto o pai e a mãe da menina, bem como os apóstolos mais íntimos (Pedro, João e Tiago).Isto porque O Senhor não opera milagres, em ambiente de incredulidade, mas sim em ambiente de fé.”(…) Tendo ele, porém, mandado sair a todos, tomou o pai e a mãe da criança e os que vieram com ele e entrou onde ela estava. Tomando-a pela mão, disse: Talita cumi! Que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te!” Mc 5:40-41. Então deu-se o milagre: a menina ressuscitou!

 

Ansiedade
A ansiedade, e muitas palavras sinónimas como cuidados, preocupações, temor, são descritos nas Sagradas Escrituras como uma atitude errada, a evitar pelo o cristão. A ansiedade tem um efeito terrível na vida espiritual do crente: a ansiedade paralisa a fé atuante na vida de qualquer pessoa.

Quando nos preocupamos, tiramos ao nosso Senhor o papel de nosso Deus e tentamos assumir responsabilidades que só podem ser assumidas pelo nosso Mestre. Jesus Cristo nos ensina diversas vezes através dos evangelhos “Não vos inquieteis”. Na tradução da Bíblia em grego (gr merimneo, que quer dizer literalmente dividir a mente) apercebemo-nos, que quanto estamos ansiosos ficamos com a mente dividida. A preocupação ou inquietação divide a mente entre as coisas úteis e as coisas prejudiciais; entre a confiança em Deus e a incredulidade. Por outro lado, acaba por fazer com que tomemos atitudes na carne, por termos a não certeza de que Deus está a cuidar de nós. Esta dualidade de pensamento é totalmente reprovada pelas Escrituras, pois acarreta uma divisão, separação e distração de Deus. Nenhum homem consegue ficar ansioso e confiar em Deus ao mesmo tempo, pois a ansiedade destrói a confiança em Deus. A inquietação não muda nada, apenas serve para desviar o nosso olhar de Deus e da sua fidelidade e justiça.

O apóstolo Paulo recomenda que a nossa caminhada deve ser feita “olhando firmemente para o Autor e consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado a destra do trono de Deus” Hb 12:2.

Com a ansiedade em vez de nos concentrar-nos em Deus, passamos a preocupar-nos com as coisas concernentes a vida, tais como posses e bens materiais. A preocupação abre caminho para o mundanismo, isto é para a preocupação das coisas concernentes a vida.

Em conclusão, a preocupação é o posto da fé e segure que Deus não é digno de confiança para cuidar da nossa vida, e suprir as nossas necessidades. Considero que a ansiedade é uma desconsideração a Deus, que tantas mostras nos deu na Sua fidelidade e do Seu poder. O nosso Mestre recomenda-nos “Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; ou pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? (…) Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas” Mt 6:25, 31-32.

 

Religiosidade
Por vezes, devido a alguma situação mais difícil na vida, acabamos por aproximarmos de Deus; e para a nossa alegria vimos a resposta de Deus a nossa prece. Com o passar do tempo pode haver o hábito de levar uma rotina religiosa, apenas com o objetivo de obter algum favor de Deus. Contudo, ao andar com Deus, vamos aprendendo o Amor de Deus, e apercebendo-nos que Deus, como nós, quer ser amado incondicionalmente, quer nos responda as nossas orações, quer não responda.

O crente, com o tempo, é levado a buscar a Deus pelo Seu amor, que o salvou da morte eterna e lhe deu um lugar no céu. A Bíblia, descreve que várias vezes, Deus testou o amor dos seus servos, como no caso de Abraão. Abraão, por várias vezes viu o seu amor por Deus ser testado. Por exemplo, depois de Deus prometer um filho a Abraão, passou-se muito anos; e depois de o ver nascer, Deus pede a Abraão o seu filho, como prova do seu amor e temor:” Depois dessas coisas, pôs Deus Abraão à prova e lhe disse: Abraão! Este lhe respondeu: Eis-me aqui! Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te a terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei” Gn 22:1-2. Abraão, mostrou um grande temor a Deus e um amor ao seu Criador maior ao que tinha pelo seu filho “Levantou-se, pois, Abraão de madrugada e, tendo preparado o seu jumento, tomou consigo dois dos seus servos e a Isaque, seu filho; (…) Chegaram ao lugar que Deus lhe havia designado; ali edificou Abraão um altar, sobre ele dispôs a lenha , amarrou a Isaque, seu filho, e o deitou no altar, em cima da lenha (…) Então, lhe disse: Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, o teu único filho” Gn 22:3,12.

O nosso Mestre definiu como o resumo de todos os mandamentos, apenas dois mandamentos:“(…)Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” Lc 10:27.Oprimeiro mandamento indicado por Jesus, indica-nos que o nosso amor a Deus deve ser maior do que tudo que possa haver na nossa vida, incluindo familiares, carreira, casa, etc. Esse amor com todas as nossas forças deve fazer-nos colocar a disposição de Deus tudo o que temos, tudo o que somos, como fez Abraão. A nossa vida passa a ser dependente da Sua vontade, do Seu Espírito e da Sua direção. Esse amor leva a colocar Jesus como a prioridade da nossa vida pois ele é dono da nossa vida e nós, somos seus servos.

Assim, na caminhada com Deus somos levados a deixar de aproximar-nos de Deus apenas porque precisamos de um favor ou um milagre Seu. Aproximamos-mos Dele porque o amamos, porque sabemos que somos dele e vivemos para Ele. Por vezes, alguns crentes, acabam por não desenvolver o seu amor por Deus, e acabam por ver Deus como alguém que existe para abençoa-los, cura-los, para servi-los e salva-los.

Apesar, de Deus na sua misericórdia atender as orações, destes crentes, a quem pode-se chamar religiosos, eles continuam a andar em pecado, pois a motivação deles no relacionamento com Deus é errada, pois esquecem-se que Deus é quem merece ser servido, pois o nosso Senhor é o dono na nossa vida.

Portanto, todas as escolhas, todos os desejos deveriam passar primeiro pelo escrutínio de Deus, para a sua aprovação ou não. O crente e então, faria apenas o que Deus lhe mandasse fazer, pela fé de ser abençoado, e não faria o que lhe apetecesse na espectativa que Deus lhe abençoasse. O religioso, apesar de chamar Jesus de Senhor, acaba por ser o senhor da sua vida, pois é ele que decide o que quer fazer e não o seu Salvador Jesus Cristo.

 

Trevas
Jesus Cristo, o nosso Mestre, é a luz do mundo; e quem o segue não andará em trevas (Jo 8:12).Quando deixamos de andar segundo a vontade de Deus, descrita na Sua Palavra, andamos nas trevas. Na Bíblia, a Palavra de Deus é descrita como a luz para os nossos caminhos: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos.”Sl119:105.

Depois de aceitarmos Jesus Cristo como Senhor e Salvador das nossas vidas e de sermos habitados pelo Espírito Santo, deixamos de ser trevas e passamos a ser luz, como nos diz o apóstolo Paulo na epístola aos Efésios: “ Pois outrora éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” Ef 5:8. Agora, portanto, temos andar na luz que “(…) consiste em toda a bondade, e justiça e verdade” Ef 5:9. Andar nas trevas consiste em fazer obras que são más para Deus e que estão indicadas na Bíblia Sagrada como condenáveis.

Por isso o crente deve evitar o caminho das trevas não praticando as obras condenadas na sua Palavra como ódio, ciúmes, prostituição, lascívia, feitiçarias, inimizades, bebedices, glutonarias, entre outras coisas (Gl 5:19-20). A Palavra de Deus indica com veemência que o ódio quando presente no coração do cristão faz com que ele ande em trevas. O apóstolo João na sua primeira epístola diz que “Aquele que diz que está na luz e odeia a seu irmão, até agora está nas trevas.(…) Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos” 1Jo 2:9,11.

Contudo, andar nas trevas também pode consistir em deixar de praticar as obras recomentadas pelo nosso Mestre e indicadas também pelo apóstolo Paulo na epístola aos Romanos:“ No zelo não sejais remissos; sede fervorosos de Espírito, servindo ao Senhor; regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes; compartilhai as necessidades dos santos; praticais a hospitalidade; abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis.” Rm 12:11-14. Tenho sentido claramente, que quando amaldiçoamos alguém, em vez de abençoarmos como nos recomenda o nosso Mestre (Mt 5:44), ficamos em trevas e o Espírito Santo entristece-se.

O nosso Senhor e Mestre diz-nos em Apocalipse “ Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!”Ap 3:15. O crente pode tornar-se morno quando deixa de ter zelo, fervor pela vontade de Deus, e torna-se desinteressado e indiferente em relação a palavra de Deus e em relação ao próximo.

Quando o crente anda em trevas torna-se um campo reprodutor de obras da carne, deixa de estar habituado a fazer a vontade do Espírito Santo, ou seja, perde a disciplina espiritual. Deus deseja que permaneçamos nos seus caminhos, e também abertos, leais, honestos, constantes e que sejamos “quentes” na fé. Devemos termos sempre um coração ensinável, a abandonar o orgulho e autojustificação. Deus quer que nos tornemos puros, santos e separados do muno.

 

Soberba
Por vezes, no ser humano existe a tendência de ter orgulho pelo que se faz, mas sempre comparando com aqueles que estão a sua volta. A comparação com o próximo, acabada por tornar o orgulho, ou satisfação pelo que se fez, em algo desagradável a Deus, num critério para menosprezar o próximo que não realizou a mesma obra.

Sem dar-se conta, o homem nessas situações sente-se maior dos que os outros, num pedestal. Esse sentimento pode crescer de tal forma, que ele se esquece que foi Deus, o seu criador, que o capacitou com os dons que ele tem, e por isso é o único responsável pela realização da obra de que se gaba, e que lhe serve de motivo para menosprezar o seu próximo “Pois que é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias, como se não tiveras recebido?” 1 Co 4:7.

Isso é retratado pelo Metre com a parábola do fariseu e o publicado:” O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou dízimo de tudo quanto ganho ”Lc 18:11-12. Contudo o publicano que estava de pé ao longe, não ousava levantar os olhos ao céu e clamava pelo perdão de Deus, pois considerava-se pecador. Deus ao ouvir as duas orações, perdoou o publicano, mas não atentou para a oração do fariseu. “ O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” Lc 18:13.Sobre o publicano o Mestre diz-nos “ Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo aquele que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.” Lc 18:14.

A Bíblia descreve que Deus não se agrada dos soberbos, mas que dá a sua graça a aqueles que se humilham e que reconhecem que sem Deus nada podem fazer pois Deus é o responsável de todas as coisas: “(…) cingi-vos de toda humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo aos humildes concede a sua graça”1Pe 5:5.Por isso, o apóstolo Pedro aconselha-nos: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte,” 1 Pedro 5:6.

 

Astúcia
Na Bíblia, a astúcia por vezes tem uma conotação negativa, quando são usados meio ilícitos para atingir determinados fins. O nosso Mestre, Jesus Cristo, indica-nos na parábola do administrador infiel, como uso da astúcia pode ser prejudicial para alcançar a vida eterna, e como Deus condena o uso de métodos obscuros para a administração da vida que nos foi confiada, para que exercêssemos mordomia.

O nosso Senhor Jesus, no final, solicitará a prestação de contas a todos nós e dirá o que pensa da gestão que fizemos dos talentos que nos foram confiados como fez na parábola do administrador infiel: “ E elogiou o senhor o administrador infiel porque se houvera atiladamente, porque os filhos deste mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz” Lc 16:8.

O nosso Mestre mostra-nos a opinião que teve do administrador, que após roubar ao seu senhor e ser descoberto, resolveu chamar a todos os que deviam ao seu senhor, e em troca do pagamento de uma parcela da dívida o administrador declarava as dívidas como pagas. O nosso Mestre mostra que, o administrador, apesar de ter conseguido que o seu senhor recebesse parte dos dinheiros que lhe deviam, o administrador mostrou ser um filho das trevas, um filho “deste mundo”, pois foi capaz de usar métodos ilícitos, astúcia, para atingir os seus fins. Por isso o Senhor Jesus acrescenta:”E eu vos recomendo: das riquezas de origem iníqua fazei amigos; para que, quando aquelas vos faltarem, esses amigos vos recebam nos tabernáculos eternos” Lc 16:9. Com estas palavras o Senhor Jesus mostra que atitudes iniquas, cheias de astúcia, não nos levam ao reino celestial.

Na nossa vida, o tempo deve ser usado com sabedoria, de acordo com a Palavra de Deus; os talentos devem ser compartilhados para edificar os outros e glorificar a Deus; o dinheiro deve ser gasto para suprir as nossas próprias necessidades e dos que nos cercam.

 

Vaidade da mente
A vaidade, na Bíblia é muitas vezes descrita como aquilo que é fútil, que não acrescenta nada de substancial a nossa vida. No fundo, a vaidade é tudo aquilo que não ajuda a nossa caminhada com Cristo, e nos desvia do principal objetivo da nossa vida que é amar e honrar ao nosso Deus.

Antes da nossa conversão, na nossa vida como incrédulos, fazíamos muita coisa que não contribuía para a nossa relação com o nosso Pai celeste; que serviam apenas para dar um significado passageiro a nossa existência e depois no dia a seguir, deixava de ter significado, tínhamos de arranjar outro objetivo para nos motivar a viver o dia seguinte. A vaidade indica um estilo de vida dirigido por concupiscências que apenas prometem alegria, mas não oferecem, pois a nossa alma apenas é satisfeita com verdadeira comunhão com Deus. Outros caminhos não satisfazem, são enganosos, pois são caminhos pecaminosos.

O apóstolo Paulo na sua epístola ao Efésios aconselha-nos “Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos” Ef 4:17.



Necedade
Os cristãos devem estar atentos, pois as circunstâncias que os cercam muitas vezes podem os levar ao pecado. Avinda do Senhor está próxima, e ninguém sabe qual é a hora da Sua vinda, a não ser o Pai. Por esta razão os cristãos devem andar em temor e estar prontos para prestar contas da mordomia que têm efetuado do seu tempo, dons, talentos, e de toda a sua vida; pois o Senhor Jesus pode voltar para buscar a Igreja a qualquer momento.

O nosso Mestre, o Senhor Jesus, ilustra a necessidade de termos de estar prontos para a sua vinda, com a parábola das dez virgens e prontos para a prestação das contas com a Parábola das dez minas: “ Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do reino, mandou chamar os seus servos a quem dera dinheiro, a fim de saber que negócio cada um teria conseguido” Lc 19:15. Dois dos servos tinham feito multiplicar o dinheiro que o Senhor dera, contudo, um deles, não se preocupou em fazer prosperar ao seu senhor e escondeu o dinheiro. Essa atitude foi totalmente condenada pelo seu senhor, que o chamou de “servo mau:” Respondeu-lhe o senhor: servo mau, por tua própria boca te condenarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei; porque não puseste o meu dinheiro no banco? E, então, na minha vinda, o receberia com juros.” Lc 19:22-23.

Na parábola das dez virgens O Senhor Jesus descreve-nos que podem haver duas atitudes em relação a Sua vinda: a atitude das virgens néscias e a atitude das virgens prudentes. As virgens néscias representam aqueles que não se preparam para a vinda do Noivo, e por isso, como as néscias, não se munem com azeite para as suas lâmpadas. As virgens prudentes, são aqueles que vigiaram a vinda do seu Noivo, munindo-se com uma botija de azeite para as suas lâmpadas.

Nós somos a luz do mundo e por isso temos de iluminar como as candeias; o nosso azeite é o Espírito Santo, que alimenta nossa candeia e faz brilhar a nossa vida. Por isso, devemos fazer tudo para alimentar a chama do Espírito Santo em nossas vidas, fazendo tudo para agradar-lhe e evitando tudo o que possa entristecer o Espírito Santo.

Assim, devemos ser como as virgens prudentes e como os servos, que quando chamados pelo seu senhor para prestar contas, tinham multiplicado o dinheiro confiado. Devemos seguir o conselho do apóstolo Paulo “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus” EF 5:15.



Murmuração
Ao longo da caminhada com Deus, surgem muitas vezes situações difíceis, que gostaríamos de ver rapidamente resolvidas. Contudo, por vezes, constatamos que a resposta de Deus tarda, e não vemos a resolução da situação como gostaríamos. Nestas circunstâncias, a nossa carne, e também o inimigo das nossas almas, o diabo, quer levar-nos a duvidar da presença de Deus e do Seu Poder.

Deus define como um dos principais mandamentos, o amarmos a Deus acima de todas as coisas, tanto de todas pessoas como a cima a nós mesmos, e em qualquer circunstância; mesmo aquelas circunstâncias onde vemos o nosso conforto posto em causa. O nosso amor por Deus deve ser maior do que a nós mesmos, e maior do que a nossa necessidade de conforto e de vermos o que precisamos ser-nos concedido. ”Amará, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o tua força” Dt 6:5.

O povo israelita, depois de sair do Egito, demostrou ingratidão a um Deus que tinha demonstrado um grande Poder, libertando-lhes da escravidão do Egito, com milagres, prodígios e sinais. Por muitas vezes o povo israelita duvidou da presença de Deus, da sua capacidade de prover o que necessitavam e de leva-los até a terra prometida. Essa atitude de dúvida levou a rebelarem-se contra Deus e a praticarem ações abomináveis como a criação de um deus de bezerro para adorarem e a tentativa de regressar a terra do Egito onde tinham sofrido uma dura escravidão.

Essa atitude de rebelião contra Deus, acabou por fazer com que Deus não os deixasse entrar na terra prometida de Canaã, principalmente quando o povo perante o testemunho dos doze espias, que tinham regressado de Canaã, tem um atitude de incredulidade murmurando contra Deus e contra Moisés. ”Levantou-se, pois, toda a congregação e gritou em voz alta; e o povo chorou aquela noite” Nm 14:1. As palavras do povo de Israel demonstraram uma grande ingratidão e também incredulidade perante um Deus que os tinha libertado da escravidão com grande poder:” Todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e todo a congregação lhes disse: Tomara tivéssemos morrido na terra do Egito ou mesmo neste deserto! E porque nos traz o Senhor a esta terra, para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos para o Egito?” Nm 14:2-3.

Todos nós, cristãos, devemos estar atentos aos nossos pensamentos e as nossas ações e devemos temer o Nome do Senhor para não cairmos no pecado da incredulidade, enquanto caminhamos em direção a nossa Pátria celestial, a Terra Prometida. O povo de Israel tornou-se um exemplo para nós, cristãos, de como não devemos comportar-nos; e também, um exemplo das consequências da murmuração na vida cristã: a murmuração pode impedir o cumprimento das promessas de Deus; a murmuração mostra falta de amor por Deus e entristece o Seu coração. A Bíblia demonstra que apenas chegaram a terra prometida aqueles que creram em Deus em todas as circunstâncias e escolheram sempre a direção indicada por Deus como Calebe e José.

O autor da epístola aos Hebreus, em relação ao povo israelita que saíra do Egito, diz-nos: “Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade.”Hb 3:16-19.

Por isso o autor da epístola aos Hebreus aconselha-nos a não cair no pecado da desobediência, causado pela incredulidade: “Visto, portanto, que entrarem alguns nele e que, por causa da desobediência, não entraram aqueles aos quais anteriormente foram anunciadas as boas novas, (…) Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência.” Hb 4:6,11.

O apóstolo Paulo deixa-nos um conselho na sua epístola aos Filipenses “Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” Fp 2: 14, 15.

Na primeira epístola aos coríntios o apóstolo Paulo exorta-nos, tomando como exemplo, o povo israelita que saíra do Egito: “Não ponhamos o Senhor a prova, como alguns já fizerem e pereceram pelas mordidas das serpentes. Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e forma destruídos pelo exterminador.” 1Co 10: 9-10.



Concupiscência
A carne é descrita na Bíblia como algo contrário ao Espírito, que milita, luta contra o espírito (Gl 5:17), e que é inimiga de Deus “ porque o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeita a lei de Deus, nem mesmo pode estar” Rm 8:7.

A carne inclina-se para o prazer imediato, para a posse de bens, e tem tendência de superestimar a si mesma. O mundo é um sistema organizado que se opõe a Deus e é motivado pela concupiscência da carne, pela concupiscência dos olhos e pela soberba da vida. O apóstolo João descreve na sua primeira epístola que Deus não ama o que existe no mundo, ou seja, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e soberba da vida. Por isso quando o homem deixa-se levar por estas concupiscências não é alvo da aprovação de Deus. “porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” 1Jo 2:16.

A concupiscência da carne, motiva o homem a viver para obter o prazer imediato, ou seja, a viver para atender os desejos, apetites e impulsos imediatos, independentemente das consequências. A carne alicia o homem a e procurar obter o que deseja, sem ter em conta a vontade de Deus; e sem controlar as consequências dos atos.

Foi a concupiscência da carne, a vontade de atender ao seu desejo, sem se importar com as consequências que levou a Davi ao pecado, a tomar a mulher de um comandante do seu exército,o Urias:“ Uma tarde, levantou-se Davi do seu leito e andava passeando no terraço da casa real; daí viu uma mulher que era mui formosa (…) Então enviou Davi mensageiros que a trouxessem; ela veio, e ele se deitou com ela”2Sm 11:2,4. Mais tarde vendo que as consequências foram graves, pois ela engravidara, tentou resolver a situação com o homicídio de Urias “A mulher concebeu e mandou dizer a Davi: Estou gravida. (…) Pela manhã, Davi escreveu uma carta a Joabe e lha mandou por mão de Urias. Escreveu na carta, dizendo: Ponde Urias na frente da maior força da peleja; e deixai-o sozinho, para que seja ferido e morra.”2Sm 11:5, 14-15.

Devido aos efeitos negativos da concupiscência da nossa vida, o apóstolo Paulo recomenda-nos: “mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para carne no tocante às suas concupiscências” Rm 13:14. Na epístola aos Gálatas o apóstolo Paulo diz ainda: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis a concupiscência da carne” Gl 5:16.

O apóstolo Pedro, sobre a concupiscência da carne aconselha-nos “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma,” 1Pe 2:11.

Por isso, precisamos de remir o tempo; e no tempo de vida que temos, não devemos viver de acordo com as paixões carnais, mas segundo a vontade de Deus: “para que, no tempo que nos resta na carne, já não vivais que acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus” 1Pe 4:2.

A concupiscência dos olhos, por sua vez, resulta na ambição, no desejo de possuir o que se vê ou o que é belo.

Muitas vezes a concupiscência dos olhos, a ambição de possuir o que vemos ao nosso redor, está interligado com um crescente amor ao dinheiro, pois este é a forma mais direta de possuirmos o que nos atrai.

O amor ao dinheiro acaba por ser um grande mal, pois torna o homem vulnerável as tentações, e desvia-o do seu verdadeiro objetivo, que é amar a Deus; pois passa a viver para amar-se a si mesmo, para o satisfazer os seus desejos ao invés dos desejos de Deus. O dinheiro, ilude a que o tem, e também a quem não o tem, pois dá a ilusão que quem o possui tem a verdadeira felicidade, pois tem tudo o que deseja. “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição” 1Tm 6:9.

Contudo, esse amor ao dinheiro, acaba por traduzir-se em avareza, cobiça, e cedo a pessoa acaba por ficar totalmente nas trevas, porque já não ama a Deus, já não ama ao próximo, porque inveja o que os outros têm e porque vê os outros como um fim para a satisfação dos seus desejos.

Sobre o amor ao dinheiro, o apóstolo Paulo diz na sua primeira epístola a Timóteo “Porque o amor do dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” 1Tm 6:11.

As verdadeiras riquezas são invisíveis, eternas e não se traduzem em bens matérias; por isso o nosso Mestre disse “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância de bens que possui” Lc 12:15.

Por isso o apóstolo Paulo diz a Timóteo: “ Exorta os ricos do presente século que não sejam orgulhos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos em boas obras, generosos em dar e prontos para repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida.” 2Tm 6: 17-19.

Para explicar que a abundância de bens não garante a vida eterna, e que entesourar para nós mesmos não é o mesmo que ser rico para Deus, o nosso Mestre conta numa parábola, que um homem após obter uma colheita abundante, planeou contruir celeiros para guardar os seus produtos, e então disse para si mesmo: “Então direi a minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te” Lc 12:18. Mas Deus vendo a atitude dele, os seus pensamentos disse: “(…) Louco, esta noite pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus” Lc 12:20-21.

Por isso os cristãos devem fixar a sua atenção nas coisas eternas, celestiais; porque as que se veem são passageiras e não constituem a verdadeira riqueza.

As concupiscências são muito utlizadas pelo inimigo das nossas almas para tentar o homem. A Bíblia aponta entre outros exemplos, duas pessoas que foram sujeitas a tentação: Eva e Jesus Cristo, o nosso Senhor.

Eva depois de ouvir as palavras da serpente, desejou o fruto que Deus tinha proibido de comer e caiu na tentação de comer o fruto. “Vendo a mulher que árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” Gn 3:6.

A serpente utilizou a concupiscência da carne (arvore boa para comer), a concupiscência dos olhos (agradável aos olhos) e a soberba da vida (arvore desejável para dar entendimento) para tentar Eva e conseguiu que ela caísse na tentação.

Contudo, o diabo utilizou as mesmas armas para tentar o Senhor Jesus mas não conseguiu que o nosso Mestre pecasse, ou seja, que o nosso Mestre caísse na tentação. O diabo utilizou para tentar o Senhor Jesus a concupiscência da carne (manda que estas pedras se transformem em pães Mt 4:3), a concupiscência dos olhos ( (…) o levou a cidade santa, colocou-o sobre um pináculo do templo e lhe disse (…) atira-te abaixo porque está escrito(…) Mt 4:6) e a soberba da vida (“mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles Mt 4:8).

Jesus Cristo foi tentado em todas as coisas, como nós, mas sem pecado; por isso pode compadecer-se de nós:” Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” Hb 4.15.

Por isso, o nosso Senhor Jesus Cristo sabe o que sofremos quando somos tentados e pode compadecer-se de nós. “Pois, naquilo em que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” Hb 2:18.